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segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

"Relatos de uma Cicatriz" a odisseia piauiense de Gilmar Carvalho


A novela "Relatos de uma Cicatriz" (2025), publicada pela Uiclap Editora, é uma obra do escritor Gilmar Carvalho, natural de Lagoa da Pedra/MA, passando por Esperantina/PI e atualmente residente em Batalha/PI. Com 146 páginas marcadas por tensão e sensibilidade, o livro apresenta uma narrativa instigante, repleta de movimentos, reviravoltas e descobertas profundas.

O grande diferencial da obra está em sua voz narrativa: quem conta a história é a cicatriz do protagonista. Eloi "a cicatriz" assume o papel de narrador-personagem, mas também se revela onisciente, transitando entre pensamentos, memórias e acontecimentos com uma liberdade que amplia o alcance da narrativa. Essa escolha criativa confere originalidade e profundidade ao enredo, transformando a cicatriz em símbolo vivo das dores, conquistas e desafios de Odisseu.

A trama se inicia quando o adolescente Odisseu descobre, de maneira inesperada, que foi adotado. A revelação rompe a frágil estabilidade de sua vida e o impulsiona para uma jornada de autodescoberta. Ao deixar para trás sua a casa de seus pais adotivos, ele mergulha em um percurso marcado por perigos urbanos, traições amargas e conflitos internos. No entanto, em meio às adversidades, também encontra o amor, a empatia e a resiliência, elementos que equilibram a dureza da caminhada com momentos de sensível humanidade.

O enredo é bem construído e envolvente, conduzindo o leitor por caminhos imprevisíveis. As reviravoltas surgem com naturalidade, mantendo o ritmo dinâmico e despertando constante curiosidade. A cada capítulo, cresce o desejo de continuar a leitura, como se o próprio Eloi nos puxasse pela mão para revelar mais um fragmento da história.

Outro aspecto marcante é a maneira como o autor brinca com a linha do tempo. Memórias do passado surgem no presente da narração, criando camadas que enriquecem a compreensão dos fatos e das emoções. Embora essa estrutura possa desafiar leitores iniciantes, para os mais atentos ela se transforma em um convite à imersão profunda, recompensando-os com conexões sutis e significativas.

Relatos de uma cicatriz é, portanto, uma novela intensa e sensível, que transforma a marca física em metáfora existencial. Ao acompanhar a odisseia de Odisseu sob o olhar atento e reflexivo de Eloi, o leitor é levado a perceber que cada cicatriz carrega uma história, e que, por trás de cada marca, há sempre um processo de reconstrução. No caso, seria de Odisseu ou do autor? 

SILVA, Marcello. 2026

terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Os Três Degraus, de Antônio de Pádua Marques Silva


Em Os Três Degraus (2025), Antônio de Pádua Marques Silva reafirma seu lugar central na prosa parnaibana ao reunir 46 contos que recriam a cidade de Parnaíba/PI em meados do século XX. A obra dialoga diretamente com Vinte Contos para Simplício Dias (2020), mantendo a mesma proposta estética: narrar o cotidiano da cidade a partir de seus tipos humanos, espaços simbólicos e acontecimentos históricos-ficcionais.

Com domínio da narrativa curta (neste caso o conto, mas o autor também é mestre no prosa romancista) Pádua Marques transforma fatos e personagens históricos em pano de fundo para histórias vivas, nas quais a memória coletiva se mistura à invenção literária. A liberdade poética com que o autor transita entre tempos e épocas permite que o passado seja reimaginado sem perder densidade histórica, convidando o leitor a aprender mais sobre Parnaíba por meio da literatura.

A força do livro está na capacidade de criar enredos envolventes, personagens verossímeis e atmosferas precisas, revelando uma cidade pulsante, contraditória e profundamente humana. Com 208 páginas, publicação independente, Os Três Degraus confirma Antônio de Pádua Marques Silva como um mestre da narrativa, possivelmente o maior prosador de Parnaíba e região, cuja escrita alia prazer  e preservação da memória.

SILVA, Marcello. 2026

segunda-feira, 23 de junho de 2025

Concha Marinha – Santiago Pontes e os abismos poéticos da existência


Santiago Pontes, camocinense com alma filosófica e coração marítimo, entrega ao leitor em Concha Marinha uma obra de duplo mergulho: poesia e prosa entrelaçadas por um fio temático que atravessa toda a sua produção — o mar. Depois de Homem do Mar e Oceano de Mim, este livro, publicado de forma independente em 2023, reafirma o elemento marítimo como metáfora existencial, território de reflexão e espelho do eu.

Dividida em duas partes — a primeira dedicada à poesia, a segunda aos contos — Concha Marinha é, desde o título, um convite a escutar o som interno das coisas. A concha, símbolo do que é ao mesmo tempo frágil e profundo, torna-se aqui um objeto poético que guarda não apenas o rumor do oceano, mas também o eco dos dilemas humanos. Santiago escreve como quem recolhe pedaços de vida na areia e os transforma em texto.

A poesia da obra é confessional, filosófica e livre — não presa à rigidez formal, mas ancorada numa busca constante por sentido e beleza. Com linguagem coloquial e afetuosa, Santiago provoca e acolhe, reflete e questiona, oferecendo ao leitor versos que se aproximam como conversa e, ao mesmo tempo, reverberam como pensamento. É uma escrita que não teme os grandes temas — amor, solidão, morte, tempo —, mas os aborda com simplicidade e profundidade, como se cada poema fosse uma âncora lançada ao fundo do ser.

Já na segunda parte, dedicada à prosa, os contos revelam o domínio criativo do autor: há imaginação, fantasia, e uma habilidade peculiar de criar narrativas onde o cotidiano e o insólito se encontram. As histórias transitam entre o real e o fantástico, mantendo viva a provocação filosófica que permeia toda a obra. 

Concha Marinha é um livro para ser lido com vagar, como quem caminha pela praia recolhendo o que as marés deixaram. É também um convite a pensar a vida com leveza, mas sem superficialidade — marca dos bons escritores e dos bons filósofos. Santiago Pontes prova, com esta obra, que o mar continua a ser uma fonte inesgotável de perguntas e poesia.

SILVA, Marcello. 2025

domingo, 22 de junho de 2025

Poemas Ébrios – Sousa Filho e a embriaguez consciente da palavra


Poemas Ébrios, do parnaibano Sousa Filho, é uma obra de travessias — de estilos, de vozes, de estados da alma. Com 139 páginas e publicação independente em 2024, o livro revela um poeta de múltiplos registros e intenções, que transita com naturalidade entre o lirismo apaixonado, o tom elegíaco, a sátira política e o existencialismo inquieto. Uma poesia que, mesmo ébria, sabe muito bem onde pisa.

O título da obra já antecipa sua essência: poemas gestados sob a influência simbólica (e literal) do álcool, mas que não se perdem na embriaguez — antes, encontram nela uma lente para enxergar o mundo com maior nitidez e emoção. A palavra, aqui, é fermentada no tempo e destilada na sensibilidade. É poesia que flui como vinho velho em taça nova.

Sousa Filho recusa qualquer engessamento estético. Em sua escrita há traços de romantismo, realismo, parnasianismo, simbolismo, modernismo e até concretismo. O poeta desafia as escolas, hibridizando estilos com naturalidade e dando voz a um sujeito lírico que ora filosofa, ora confessa, ora denuncia. A linguagem percorre do erudito ao coloquial, criando um jogo rítmico e expressivo que enlaça leitor e poema num mesmo sopro.

O cordel, raiz importante da tradição nordestina, também marca presença em sua métrica e musicalidade, assim como a crítica social e o amor à terra natal, cantada com orgulho e melancolia. Há poemas fúnebres que tocam fundo, há sátiras que fazem rir e pensar, e há versos que sussurram com uma beleza quase mística. Em tudo, uma entrega sincera do poeta à palavra.

Ler Poemas Ébrios é participar de um banquete poético onde se serve o que há de mais humano: dores, delírios, utopias, perdas, encantamentos. Sousa Filho é um poeta que escreve como quem vive — intensamente. E nos brinda com uma poesia honesta, desassossegada, feita para ser sentida antes de ser rotulada.

SILVA, Marcello. 2025

Onde Estão Meus Girassóis? – Carvalho Filho e a delicadeza em tempestade


Onde Estão Meus Girassóis?, obra de estreia (em livro solo) do poeta parnaibano Carvalho Filho, publicada pela Editora Tremembé em 2022, é um livro que pulsa entre a técnica e a emoção, entre o clássico e o rebelde, entre o grito e o sussurro. Com 95 páginas que transbordam lirismo e inquietação, Carvalho revela-se um poeta de rigor formal e sensibilidade vibrante — um construtor de versos que respeita a métrica, sem abandonar a alma.

Influenciado por figuras como Van Gogh — cuja admiração transparece já no título e na simbólica capa do livro —, Carvalho faz dos girassóis uma metáfora persistente de busca, luz e esperança. Mas não uma esperança ingênua: seus poemas estão frequentemente atravessados por sombras, tempestades e a sensação de um mundo em ruína. Ainda assim, há beleza. Ainda assim, há flores.

A poesia aqui ora dança no compasso preciso das rimas e ritmos, ora explode em versos livres. Em muitos momentos, o leitor perceberá um “múltiplo de eus” pessoano, com ressonâncias do existencialismo melancólico de Florbela Espanca e da visceralidade de Augusto dos Anjos.

O que une toda essa pluralidade estética é uma marca autoral rara: a busca por um “eu” lírico que, mesmo desiludido, insiste em amar, em criar, em esperar seus girassóis. Em sua poesia, há um desalento manso, um desejo de transformação que se esconde na forma, e um trabalho artesanal com a palavra que impressiona, sobretudo em tempos de dispersão poética.

Carvalho Filho chega ao cenário literário piauiense com força e frescor. Onde Estão Meus Girassóis? é um livro que merece ser lido com calma, com olhos atentos e coração aberto — porque seus versos, embora construídos com rigor, sabem sangrar quando necessário. E é nesse paradoxo — entre a ordem e a paixão — que reside sua beleza mais profunda.

SILVA, Marcello. 2025

sábado, 17 de maio de 2025

A Borda do Mar de Riatla – Diego Mendes Sousa e a reinvenção lírica do ser


A Borda do Mar de Riatla é uma travessia mitopoética que funde a memória, o mar, o mito e o amor numa só correnteza. Diego Mendes Sousa, poeta piauiense de rara sensibilidade e vasto repertório estético, confirma nesta obra sua posição de herdeiro dos transgressores da língua — à maneira de Manoel de Barros —, mas com uma lírica de densidade única, mais épica, mais luminosa.

Composto por 29 poemas divididos em dois capítulos — Borda d’Água e Altos-Mares, o livro é ilustrado com obras de Paul Gauguin, o que já indica seu temperamento estético: o exílio criativo, o desejo do longínquo, a reinvenção da beleza em territórios interiores. Mas ao contrário de Gauguin, que foi à Polinésia buscar inspiração, Diego mergulha em sua Parnaíba natal para encontrar o mar íntimo que o move. Parnaíba não é apenas lugar, é personagem, é elo genealógico, é raiz de todas as águas do autor.

No poema “Evocação da Parnaíba”, o poeta reconstrói a cidade com a matéria da memória, exaltando figuras históricas e familiares como quem ergue um altar afetivo. A Parnaíba dos vareiros, dos poetas, dos avós sábios, das ruas antigas e do cais torna-se, sob sua pena, um espaço quase mitológico, onde o tempo é cruzado com os pés calejados da infância e da perda. A linguagem é simultaneamente grandiloquente e confessional — o verso é largo, mas a emoção é funda.

A geografia poética de Riatla remete à mítica Pasárgada de Manuel Bandeira: ambas são territórios simbólicos criados pelo poeta para abrigar aquilo que o mundo real não comporta — desejos, memórias, ausências e utopias. Riatla, contudo, é mais líquida, mais fluida: mistura rio e mar, mito e memória, Altair (a musa) e Atlas (o peso do mundo). Ao contrário da Pasárgada idílica, Riatla é também um lugar de dor e saudade, como se o próprio chão se desfizesse em água — elemento central que percorre toda a obra como fonte de origem e dissolução. O verso “Eu vivo como o mar, bebendo os rios” do também piauiense R. Petit, poeta conterrâneo de Diego, condensa-se o espírito do livro: fusão, desejo, continuidade...Parnaíba...Piauí.

À Borda do Mar de Riatla é um canto inaugural, uma reza modernista, um grito sagrado. Nele, Diego Mendes Sousa mostra que é possível, mesmo no século XXI, construir uma poesia que recusa o raso, que convoca o sublime e que ancora a linguagem num novo humanismo poético.

SILVA, Marcello. 2025

Resenha Literária: O Argonauta de Si Mesmo – F. Gerson Meneses e a viagem interior do poeta


Em O Argonauta de Si Mesmo, o poeta piauiense F. Gerson Meneses convida o leitor a lançar-se em uma travessia poética profundamente pessoal e universal. Inspirado na figura mitológica dos argonautas — os navegadores da embarcação Argo, liderados por Jasão na busca pelo Velocino de Ouro — Meneses assume o leme de uma jornada interior, onde o oceano é o próprio eu, e os poemas, as ilhas, vulcões e tempestades do inconsciente.

Após o sucesso de Versos Retos de um Poeta Torto (2018), o autor volta mais maduro, mais afiado, mais visceral. Se a obra anterior já revelava um poeta de grande domínio da linguagem, aqui ele expande seus horizontes, compondo 58 poemas distribuídos em cinco capítulos: Devaneando, Natureza, Encontros, Vida e Ensaio de Cordel. São seções que, como mapas náuticos, conduzem o leitor por experiências sensoriais, filosóficas e afetivas que vão do concreto ao onírico.

A beleza plástica da obra, com arte de capa simbólica (um homem a pensar em sua embarcação solitária) e ilustrações de Jason Fontenele, reforça o tom reflexivo que permeia os versos. O prefácio, assinado por Claucio Ciarlini, escritor e historiador, aponta com precisão a força do livro: sua capacidade de provocar, comover e transformar, mantendo viva a chama crítica frente aos absurdos políticos e sociais dos últimos anos — um eco contemporâneo do que fez Carlos Drummond de Andrade em A Rosa do Povo.

Meneses homenageia paisagens, escancara memórias, fala de amor mesmo quando há dor, e nunca esquece o torrão natal — como fez Da Costa e Silva ao cantar o Piauí. Sua escrita, por vezes romântica, por vezes concreta, nunca se aparta da emoção verdadeira. A poesia aqui é resiliência, é cicatriz e também sopro de esperança. É, como escreveu Octavio Paz, “um ato vital”.

O Argonauta de Si Mesmo não é apenas um livro: é um chamado. Uma viagem que, ao término, nos faz perceber que o maior destino da poesia é o encontro com aquilo que ainda pulsa em nós — mesmo quando o mar está revolto.

SILVA, Marcello. 2025

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Resenha Literária: Coleção Vozes do Piauí – Uma cartografia poética da diversidade


A Coleção Vozes do Piauí, idealizada pela Editora Tremembé no âmbito do Projeto Vozes do Piauí, é uma iniciativa profundamente enraizada no espírito da coletividade e da resistência literária. Com curadoria de Ana Ferreira, Gabriela Sena (in memoriam), Marcello Silva e Zilmar Júnior, e sob a coordenação do escritor Alexandre César Mendes Araújo, esta série de quatro coletâneas — Vozes Femininas, Vozes da Periferia, Vozes do Povo Negro e Vozes Ribeirinhas — representa um marco na história recente da literatura piauiense.

Mais do que uma reunião de textos, trata-se de um gesto político e poético: reunir autoras e autores de diferentes territórios e identidades para ecoarem, juntos, o que por muito tempo foi silenciado. Tal como nos versos de Torquato Neto — “a memória que suja a história que enferruja o que passou” —, essas vozes reconfiguram o passado e propõem novos significados ao presente, tornando o poema não um refúgio, mas uma intervenção no real.

Cada coletânea carrega o frescor e a densidade de narrativas poéticas que se entrelaçam, explorando temas como ancestralidade, pertencimento, resistência feminina, desigualdade social e a poética dos rios e das margens. São vozes que, como as de Torquato, H. Dobal ou Da Costa e Silva, não pedem licença para existir — ocupam, denunciam, encantam.

A pluralidade de estilos, que vai do verso livre ao metrificado, da prosa poética ao lirismo narrativo, revela não apenas a riqueza criativa do Piauí, mas a maturidade de um projeto literário que sabe ouvir e oferecer escuta. A força dessa coleção também reside na sua acessibilidade: exemplares distribuídos gratuitamente aos autores, escolas e às bibliotecas, num gesto de partilha que rompe com o elitismo editorial e insere a literatura no cotidiano das comunidades.

Aprovado pelo SIEC e patrocinado pelo Armazém Paraíba, o projeto destaca a urgência de se manter e ampliar os incentivos públicos à cultura. Sem tais políticas, muitas dessas vozes permaneceriam à margem. Vozes do Piauí mostra que a literatura, quando nasce do coletivo, é capaz de reinventar a memória, ampliar o pertencimento e transformar o silêncio em canto.

SILVA, Marcello. 2025


domingo, 13 de abril de 2025

Resenha Literária: Entre Gerações – Diálogos que atravessam o tempo


A coleção Entre Gerações é uma ponte construída com palavras, entre autores de diferentes idades, experiências e olhares, unidos por um propósito comum: fazer da literatura piauiense um espaço de encontro e continuidade. Idealizada por Claucio Ciarlinie José Luis de Carvalho em 2018, e composta por três volumes (Contos entre Gerações, Poemas entre Gerações e Crônicas entre Gerações), a série torna-se um marco editorial em Parnaíba e no Piauí, reunindo 78 autores numa verdadeira celebração da diversidade literária.

Desde nomes consagrados como Alcenor Candeira Filho e Elmar Carvalho, até jovens talentos que florescem nas margens da escrita, a coleção representa o espírito da coletividade, evocando a proposta do modernismo brasileiro que, em 1922, rompeu barreiras para dar espaço a novas vozes. A ideia de “gerações que conversam” lembra também o projeto Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Ítalo Moriconi, onde o tempo literário é menos uma linha cronológica e mais uma rede de afetos, influências e partilhas.

O primeiro volume, Contos entre Gerações, abre a trilogia com tramas diversas que mergulham na ficção e no cotidiano. O segundo, Poemas entre Gerações, lançado em meio à pandemia, resgata a lírica como resistência e ternura em tempos difíceis, mantendo viva a palavra mesmo no isolamento. Por fim, Crônicas entre Gerações encerra o ciclo com textos que oscilam entre a memória e o agora, construindo pontes emocionais com o leitor.

A culminância da coleção num evento coletivo, em dezembro de 2021, sintetiza seu verdadeiro sentido: não apenas publicar, mas reunir. Entre Gerações tornou-se um ato de eternizar ideias e vínculos — uma obra que, ao se inscrever na história da literatura piauiense, cumpre o papel maior da arte: deixar raízes para o futuro florescer.


Resenha Literária: Nau Lírica – Uma travessia de vozes e versos


Nau Lírica é mais que uma coletânea literária — é uma embarcação simbólica, um projeto de fôlego que conduz 75 autores por águas profundas de sentimentos, estilos e linguagens. Lançada em novembro de 2024, na Academia Parnaibana de Letras, e organizada pelo coletivo Piauí Poético, a obra é uma ode ao fazer literário colaborativo, à potência da diversidade e à força da escrita que nasce da margem para alcançar o oceano.

Com organização de Claucio Ciarlini, Jardel William, Lírio Reluzente e Wilson Maudonado, e projeto gráfico de Antônio Soares, a coletânea destaca-se pela multiplicidade: homens, mulheres, autores consagrados e estreantes, todos reunidos numa mesma nau que cruza o tempo e o espaço da criação literária. A imagem da "nau" evoca referências como Mensagem, de Fernando Pessoa, onde o mar também representa o destino dos que ousam imaginar. Aqui, no entanto, não se trata de uma nau solitária, mas coletiva — símbolo da partilha e do pertencimento.

A pluralidade de estilos — do lírico ao narrativo, do poético ao reflexivo — são caleidoscópios literários em que múltiplas vozes emergem para compor um retrato da produção de uma geração. Nau Lírica é igualmente uma fotografia poética e pulsante da literatura contemporânea piauiense, marcada por um desejo de expressão e renovação.

A coletânea insere-se no rico cenário literário do Piauí, dando continuidade a movimentos que exaltam a literatura regional como espelho de identidades e territórios. É, como disse o próprio Claucio Ciarlini, “uma verdadeira nau que navega pelas águas da literatura”, reunindo tripulantes de diferentes rotas num mesmo destino: a arte de escrever

SILVA, Marcello. 2025

Resenha Literária: Letras de Amarração II – Literatura viva da Planície Litorânea


A obra Letras de Amarração II é mais que uma coletânea literária; é um manifesto de pertença, memória e continuidade. Neste segundo volume da série, quinze autores — oriundos de Luís Correia, ou que ali fincaram suas raízes — entregam ao leitor um mosaico de sentimentos, saberes e vivências, entrelaçados pela geografia simbólica da Amarração.

Este livro coletivo celebra não apenas o espaço físico da Planície Litorânea do Piauí, mas a permanência de vozes que narram o cotidiano, a cultura e o imaginário popular da região com a sensibilidade da tradição oral reinventada em palavra escrita, dando protagonismo a uma literatura que emerge das margens com força própria.

A pluralidade estilística dos autores, muitos deles novos talentos ao lado de nomes já consolidados, evidencia a potência dos projetos colaborativos. Como em Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa, há uma travessia simbólica em curso — entre o passado e o presente, o regional e o universal, a memória e a criação.

A obra também revela a importância das políticas públicas (Lei Paulo Gustavo) e incentivos à literatura local, destacando o papel fundamental de coletivos e editoras regionais na propagação da literatura piauiense. Letras de Amarração II é, portanto, um farol para a produção cultural do litoral nordestino, projetando vozes que merecem ecoar cada vez mais longe.

Organizadores: Antonio José Sales e Josiel Barros
Autores: Antonio José Sales, Daltro Paiva, Dêvia Lima, Edna Santos, Floriza Sales, João Francisco de Oliveira, José Ildegardo Saraiva Silva, Josiel Barros, Joyne Rodrigues de Oliveira, Maria Beatriz Sobrinho de Souza, Maria da Luz de Carvalho Santos, Marli Pereira Barros, Moisés Pereira dos Santos, Solange Veras Roque e Trícia Tiemy Inatomi Saraiva.

SILVA, Marcello. 2025

sábado, 12 de abril de 2025

Resenha Literária: Guardiões da Profecia de Fábio Keller


A série Guardiões da Profecia, do autor paranaense Fábio Keller, é uma notável incursão ao universo místico e folclórico do sertão nordestino, e, partindo da pena de um escritor sulista que, curiosamente, nunca pisou no Nordeste, é ainda, mais louvável. Composta por A Contenda do Sertão e A Caçada a Lucius, a obra surpreende pela autenticidade e respeito às tradições culturais, espirituais e lendárias da região.

No primeiro volume, desenrola-se uma épica batalha entre o bem e o mal no coração do sertão. O bem é representado por personagens vibrantes como o padre Getúlio, os cangaceiros Gavião, Sanhaço, Sussuarana e personagens sulistas: velho bruxo tropeiro e o menino indígena Charrua — figuras que evocam a força do imaginário nordestino-sulista. Já o mal ganha forma num exército de mortos-vivos liderados pelo Bruxo Mor Crocotá, liderando jagunços, volates e outros bruxos como Bartolomeu, que personificam o medo ancestral das forças ocultas.

Já em A Caçada a Lucius, a narrativa mistura elementos do terror e da fantasia folclórica. Lucius, uma criatura híbrida entre lobisomem, vampiro, etc. devasta a pacata Serra das Flores. Os guardiões, agora reforçados pelo misterioso Padre Lucas e por uma criança enigmática chamada Bento, enfrentam dilemas morais e desafios místicos numa jornada que é tão introspectiva quanto heróica.

Keller faz lembrar o regionalismo mágico de Ariano Suassuna e a tensão entre o sagrado e o profano presente em obras como Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. No entanto, seu maior feito é dar voz ao Nordeste com um lirismo próprio, respeitando seus mitos, seu misticismo e sua religiosidade, construindo uma obra que honra essa região profunda.

SILVA, Marcello. 2025

domingo, 1 de setembro de 2024

As multifacetas artísticas de Heloísa H. M. De Miranda


Resenha Literária: "Poesia é Pintura - Poemas Ilustrados" de Heloísa Helena Mapurunga de Miranda

O livro "Poesia é Pintura - Poemas Ilustrados" da autora Heloísa Helena Mapurunga de Miranda é uma obra que entrelaça poesia e ilustração/pinturas, oferecendo ao leitor uma experiência rica e sensorial. Dividido em quatro capítulos distintos, o livro explora diferentes facetas da expressão poética e visual.

Capítulo 1. Livro dos Afetos

O primeiro capítulo, "Livro dos Afetos", é uma celebração da emoção e do sentimento. Nesta seção, a autora mergulha nas complexidades das relações humanas e nas nuances do amor, amizade e saudade. Os poemas são imbuídos de uma sensibilidade que parece dialogar diretamente com o leitor, enquanto as ilustrações complementam e amplificam a carga emocional das palavras. O uso de imagens visuais proporciona uma dimensão adicional, permitindo que os sentimentos evocativos ganhem vida de maneira ainda mais vívida.



Capítulo 2. Livro das Considerações

No "Livro das Considerações", o foco se desloca para reflexões mais profundas e filosóficas. Aqui, os poemas abordam temas universais e existenciais, explorando a natureza da vida, a busca por significado e a introspecção. A linguagem poética é ao mesmo tempo incisiva e contemplativa, incentivando o leitor a ponderar sobre questões maiores. As ilustrações nesta seção muitas vezes têm um caráter mais abstrato, refletindo a profundidade e a complexidade dos pensamentos abordados.

Capítulo 3. Livro das Viagens

O terceiro capítulo, "Livro das Viagens", é uma jornada através de diversos cenários e experiências. A autora leva o leitor a lugares distantes, reais e imaginários, através de versos que capturam a essência da aventura e do descobrimento. As ilustrações, neste caso, desempenham um papel crucial, oferecendo visões visuais de paisagens e culturas subjetivas que enriquecem a narrativa poética. A sensação de deslocamento e exploração é acentuada pela combinação harmoniosa entre texto e imagem.



Capítulo 4. Livro dos Acrósticos e Aforismos

Por fim, o "Livro dos Acrósticos e Aforismos" é uma seção que se destaca pela criatividade e pelo jogo com a forma poética. Os acrósticos oferecem uma estrutura formal onde cada letra de uma palavra-chave inicia uma nova linha de poesia, enquanto os aforismos fornecem reflexões concisas e impactantes. As ilustrações acompanham essas formas poéticas e explorando a estética da tipografia e a integração visual com o texto.

Considerações Finais

"Poesia é Pintura - Poemas Ilustrados" é uma obra que se destaca pela sua capacidade de combinar poesia e arte visual de maneira coesa e inovadora. Heloísa Helena Mapurunga de Miranda apresenta um trabalho que é tanto um deleite para os amantes da poesia quanto para aqueles que apreciam a arte visual. A interação entre texto e imagem enriquece a experiência de leitura, oferecendo múltiplas camadas de interpretação e apreciação. O livro é uma celebração do poder das palavras e das imagens para capturar e expressar a complexidade da experiência humana.


Ficha Técnica:


Autora: Heloísa Helena Mapurunga de Miranda

Ilustrações/Pinturas: Heloísa Helena Mapurunga de Miranda

Obra independente agraciada com a LEI Paulo Gustavo

Cidade/ano: Viçosa do Ceará/2024

Gênero: Poesia

Páginas: 83

Impressão: Sieart Gráfica e Editora.




domingo, 15 de janeiro de 2023

Pela "Serragem" de Padinha



Livro: Serragem
Autor: Antônio de Pádua Marques Silva
Produção independente (Fabio Diagramação e Editora)
120 páginas
Ano: 2022

O escritor Parnaibano, Pádua Marques, tem um jeito peculiar de escrever, pois sua prosa é intensa e bastante descritiva. O trabalho de Antônio Pádua Marques ou "Padinha" para os íntimos) é uma prosa rica de modo que o leitor adentra o universo descrito pelo autor de uma forma singular.

Os personagens descrito por Padinha ganham vida de tal forma que se confunde com pessoas comuns da rotina interiorana de uma cidade pequena, por exemplo. Em Serragem, cidade fictício da obra, poderia ser uma cidade tão próxima quanto Parnaíba, poderia ser Luís Correia, poderia ser Chaval, etc. porque tem um pouco de nós em cada personagem, em cada cenário criado pelo autor. Esses personagens ganham vidas e passam a ser um companheiros do leitor durante a apreciação da obra.

Segundo o autor ele disse que "Quando escrevi este livro eu tinha certeza que estava realizando um sonho antigo, o de mostrar com palavras o movimento de uma cidade nordestina, com seus tipos comuns ou incomuns..."


Para o prefaciador, poeta Cavalho Filho "...Em Serragem existe uma grande preocupação com os personagens, o que se expressa nas descrições físicas, na exposição de seus hábitos, vícios e virtudes."

Nezinho Doido: quantos Nezinhos Doidos não existem em nosso meio. Zé do Periquito, personagem irreverente. Cabo Domingos do Apito, parece tão nosso... Carlota Miranda, Demóstenes Tavares, Zé do Avião, Sansão da Rua do Tapete, Manequim de Zulmira, Anacleto Mascarenhas, Betinho da Travessa, Ditinha Meneses, parece a gente: eu, você ou alguém  conhecido,  e é isso que autor tem de mais relevante:  construir seus personagens de modo que eles possam ser confundido com seus próprios leitores. Padinha é um mestre da prova.


SILVA, Marcello. 2023.





sábado, 7 de janeiro de 2023

O Cupido que foi Flechado | por Eriedna da Hora



Título: O Cupido Que Foi Flechado
Autora: Eriedna da Hora
Produção independente (Plataforma UICLAP)
Livro de bolso (12x17 cm) e 30 páginas
Ano 2022.

Uma leitura rápida enquanto degustamos uma xícara de café e o aroma da tarde, apesar de curta é uma história interessante, pois nos provoca e nos leva a reflexão, tirando do lugar comum, da 'coisa certinha' afinal a temática amor sempre nos leva além.

Assim o enredo da história nos traz Gabriel, um cupido tradicional em seu dever convencional de unir casais, mas algo inusitado acontece (o título denuncia) quando ele conhece Isabela e, a partir disto, tudo sai do script do cupido.

Intriga, paixão, dilema, etc, essa breve história nos proporciona e no final a autora permite que o leitor construa seu próprio fim e isto eu gostei demais, já inventei uns dez.

SILVA, Marcello

terça-feira, 20 de outubro de 2020

“Vinte Contos para Simplício Dias” o novo livro de Pádua Marques.

 


Escrever é experimentar a sensação do criador no sétimo dia, ao observar suas criaturas forjadas na argila e metáforas. E é nesta construção metafórica que o escritor Antônio de Pádua Marques Silva nos brinda com mais um trabalho louvável: “Vinte Contos para Simplício Dias”.

Pádua Marques é um prosador do cotidiano. Como diria o escritor Vinícius de Moraes[1] “Senta-se diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com as suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo.” 

“Vinte Contos para Simplício Dias” reúne a coleção de 23 contos, nos quais o autor ousou utilizar a História e fatos verossímeis como planos de fundo para enriquecer sua prosa. Os contos em questão é uma mistura do real e do imaginário fértil do autor. Até que ponto é ficção ou verdade? Com esta indagação, o escritor nos fisga e nos prende na leitura da obra. Em cada linha é perceptível a escrita peculiar de Pádua Marques que não abre mão de palavras e variações linguísticas da sua região. 

Na obra em questão, Pádua Marques utiliza alguns nomes reais da família “Dias da Silva, personagens históricos e importantes no desenvolvimento social de Parnaíba e região nos séculos XVIII e XIX. A citar, o nome que dá título à obra: Simplício Dias da Silva, um dos mais importantes vultos da história do município, bem como, e sua esposa Isabel Tomásia. Por outra, o autor constrói personagens fictícios como o escravo Elias, servo ‘fiel’ a família Dias da Silva. Nesse contexto se desenvolve o enredo dos contos, descrevendo a vida cotidiana de Parnaíba no século XIX com sua Rua Grande, Praça da Graça, Porto das Barcas, Porto Salgado e, principalmente, descreve sua gente e seus instantes corriqueiros. 

Em “Vinte Contos para Simplício Dias” acontece de tudo um pouco, desde confusões provocadas pela invasão indígena à vila no conto “O bacamarte e a lança” passando pela espera da visita de imperador francês em “Simplício Dias à espera de Napoleão Bonaparte na praia da Pedra do Sal” e assim descreve o autor no conto: “Foi emocionante e ao mesmo tempo triste a expedição dos voluntários da Parnaíba que iriam enfrentar Napoleão Bonaparte e os seus soldados naquela que se chamaria a Batalha da Pedra do Sal”. Isto sem mencionar, o aparecimento de uma múmia egípcia, no conto “A múmia que dormiu na casa de Simplício Dias na Parnaíba”. 

Índios, escravos, cientistas, revoltosos, coronéis, comerciantes estrangeiros, dentre outros, resolvem aparecer pelo Cais do Porto, Praça das Graças ou Casa Grande e todos festejam a História, a Parnaíba e a memória dos tempos pretéritos, sob o comando da batuta do maestro da prosa, escritor Antônio de Pádua Marques Silva, “O Padinha”. 

Assim, caro leitor, não te conto mais! Convido-te a adentrar o “universo simpliciano” e se deleitar nas aventuras e imaginação de “Vinte Contos para Simplício Dias”

Marcello Silva - Escritor

www.marcellossilva.com.br



[1] MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São Paulo: Cia. das Letras, 1991


quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Quem é "ELE" o novo livro de Mailson Furtado.



Ele é livro. Ele é poesia, é conto... É ninguém. O novo livro de Mailson Furtado intitulado "ele" é poema-livro ou um livro-poema tal qual "à cidade" (Jabuti 2018). 

Nesse novo trabalho, o autor mantém a subjetividade poética que caracteriza sua escrita...esse brincar com as palavras, adjetivos, verbos...frases. 

No eu-lírico em terceira pessoa, um narrador sem face (ou com todas elas) baila no sala de estar do escritor. O 'ele' é homem, menino... ancião, deveras. Vai e vem por lá e cá. É muitos entre nós. São tantos Mailsons, Antônios, Josés contido n'ele' e assim, a poesia flui como rio que bebe da sua própria fonte.

"viver é etcétera" dizia Guimarães Rosa como faz "ele" homem-comum que poderia habitar um 'poema sujo" de Gullar ou ainda observar a 'vida de besta, meu deus" de Itabira aos olhos de Drummond, mas não: Ele é tempo Furtado do poeta cearense que craveja, em diamante, uma poética prazerosa de se viver em cada página ou em cada estar do personagem-narrador. Um texto-poema-livro para ser lido e vivido em qualquer tempo e ou a qualquer hora. 

Um lindo trabalho gráfico. Texto prazeroso de se ler entre gravuras/imagens que amplia o compreender da obra. Papel não cansa a vista. Capa enigmática que provoca a curiosidade que só é saciada depois da leitura. 

Dados da Obra:

Título: Ele
Autor: Mailson Furtado
96 páginas.
Ano 2020
Produção independente 
Impressão: Expressão Gráfica e Editora
Capa: Renancio Monte
Literatura brasileira. Poemas


Texto: SILVA, Marcello. 2020




quinta-feira, 10 de maio de 2018

Primeiras impressões do livro "Homo Cactus" pelo blog "Cá Entre Nós"

Imagem ilustrativa

Livro: HOMO CACTUS

Autor: Marcello Silva

Editora: Hope

(Ainda irá entrar em pré venda)

Minhas impressões:

Um livro onde vemos várias historias, tendo o sertão como fundo. Vamos nos apavorar com o lobisomem e sempre nos benzer ao passar por uma encruzilhada.

Conhecer a triste história de um cangaceiro traído e de um menino esperando o papai noel. E nos emocionar com um casal e vê amor nas coisas mais simples da vida, e que uma botija pode devolver a paz para os vivos e para os que se foram.
Dentre outras histórias interessantes, vamos ver a vida no sertão, escolhas e consequências, e o principal: a fé.

Gostei muito da leitura e estou ansiosa para ver o livro físico pronto.

Li o livro em e-book que foi cedido pela Editora Hope para resenha.
Ainda está sem capa definida, essa foi feita por mim. Logo que sair trago para vocês.

Minha nota:🌟🌟🌟🌟

Link: Instagram AQUI
Blog Cá Entre Nós AQUI



RESENHA/PRIMEIRAS IMPRESSÕES. Livro: HOMO CACTUS Autor: Marcello Silva Editora :Hope (Ainda irá entrar em pré venda) Minhas impressões: Um livro onde vemos várias historias, tendo o sertão como fundo. Vamos nos apavorar com o lobisomem e sempre nos benzer ao passar por uma encruzilhada. Conhecer a triste história de um cangaceiro traído e de um menino esperando o papai noel. E nos emocionar com um casal e vê amor nas coisas mais simples da vida, e que uma botija pode devolver a paz para os vivos e para os que se foram. Dentre outras histórias interessantes, vamos ver a vida no sertão, escolhas e consequências, e o principal: a fé. Gostei muito da leitura e estou ansiosa para ver o livro físico pronto. Li o livro em e-book que foi cedido pela Editora Hope para resenha. Ainda está sem capa definida, essa foi feita por mim. Logo que sair trago para vocês. Minha nota:🌟🌟🌟🌟
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