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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Os Três Degraus, de Antônio de Pádua Marques Silva


Em Os Três Degraus (2025), Antônio de Pádua Marques Silva reafirma seu lugar central na prosa parnaibana ao reunir 46 contos que recriam a cidade de Parnaíba/PI em meados do século XX. A obra dialoga diretamente com Vinte Contos para Simplício Dias (2020), mantendo a mesma proposta estética: narrar o cotidiano da cidade a partir de seus tipos humanos, espaços simbólicos e acontecimentos históricos-ficcionais.

Com domínio da narrativa curta (neste caso o conto, mas o autor também é mestre no prosa romancista) Pádua Marques transforma fatos e personagens históricos em pano de fundo para histórias vivas, nas quais a memória coletiva se mistura à invenção literária. A liberdade poética com que o autor transita entre tempos e épocas permite que o passado seja reimaginado sem perder densidade histórica, convidando o leitor a aprender mais sobre Parnaíba por meio da literatura.

A força do livro está na capacidade de criar enredos envolventes, personagens verossímeis e atmosferas precisas, revelando uma cidade pulsante, contraditória e profundamente humana. Com 208 páginas, publicação independente, Os Três Degraus confirma Antônio de Pádua Marques Silva como um mestre da narrativa, possivelmente o maior prosador de Parnaíba e região, cuja escrita alia prazer  e preservação da memória.

SILVA, Marcello. 2026

domingo, 18 de janeiro de 2026

1º Sarau Vozes Ceará & Piauí celebra integração literária entre estados

Imagem: Aline Veras


A cidade de Chaval (CE) foi palco, no dia 17 de janeiro de 2026, do 1º Sarau Vozes Ceará & Piauí, um encontro que reuniu 21 escritores dos dois estados, vindos de Chaval, Camocim e Juazeiro do Norte (CE) e de Parnaíba, Luís Correia e Batalha (PI).

O evento aconteceu na quadra da Escola Epitácio Brito, das 10h às 13h, e transformou o espaço escolar em um cenário de celebração poética e diálogo entre gerações.

Organizado pelo CLAVA – Clube Literário de Chaval, o sarau contou com o apoio da Secretaria de Educação e Cultura de Chaval, da Revista Piauí Poético, do Clube dos Poetas Mortais, da Academia Camocinense de Ciências, Artes e Letras (ACCAL), do projeto Piauí em Letras, do Projeto Literaparque e do coletivo Ateliê Poético.

Com leituras de poemas, contos e crônicas, o encontro destacou-se como elo cultural entre as vozes literárias do Ceará e do Piauí, revelando a diversidade criativa da região e a força da literatura como instrumento de aproximação e resistência cultural.

Participaram do sarau, em ordem alfabética: Aline Veras, Amparo Carvalho, Antônio José Sales, Carlos Pontes, Cecília Nunes, Claucio Ciarlini, Claudia Neves, Carvalho Filho, Daltro Paiva, Emanoel Jonas, Etasmda Dias, Gilmar Carvalho, Luciana Fernandes, Maicon Gabriel, Marcello Silva, Maria Eduarda, Paulo Couto (Marta Couto), Rosinha Maciel, Santiago Pontes, Sousa Filho e Tadeu Durval.

“O Sarau Vozes Ceará & Piauí nasceu da necessidade de aproximar nossos escritores e mostrar que a literatura também é território de convivência e resistência”, afirmou o escritor Marcello Silva, um dos articuladores do evento. 

"É um momento muito feliz não só para mim, mas também para todas as pessoas que estão aqui. Temos aqui escritores de diversas gerações se encontrando.. se conhecendo e promovendo esse grande dia cultural" concluiu o escritor Claucio Ciarlini

Para a articuladora e escritora Rosinha Maciel "Foi um dia marcado pela pluralidade de vozes... que se encontraram pela palavra. Cada poema declamado...história de vida narrada transformaram o espaço em um verdadeiro território de arte, escuta e sensibilidade"

Ao final das apresentações poéticas houve sorteios de obras literárias aos participantes em um momento de comunhão entre os presentes. 

O encontro encerrou-se com aplausos e o compromisso coletivo de dar continuidade à parceria entre escritores dos dois estados, firmando o sarau como ponte literária entre as cidades e autores, inclusive o 2º sarau já está marcado para julho em Parnaíba/PI.







sábado, 27 de dezembro de 2025

15 anos de Cecília.


Te escrevo hoje, 27 de dezembro de 2025, como se este fosse o primeiro e o último gesto da minha existência, como se toda a minha jornada neste planeta se resumisse a este instante. Não imagino minha vida sem você, nem encontro qualquer razão existencial que não seja a de, nesta vida, ser seu pai.

Uma missão ousada que Deus me deu e que eu, de prontidão, aceitei. Mesmo sabendo dos desafios que essa jornada traria; mesmo sabendo quase nada sobre como ser pai, eu aceitei. E aqui estou, ciente de que estou dando o meu máximo — entre erros e acertos, típicos da missão a mim incumbida.

Te imaginei e te sonhei por inúmeros dias antes mesmo de saber quando você viria. E você veio, desavisada, entre lençóis frios, numa madrugada em que chuviscava em Chaval. As ruas estavam desertas, numa calmaria assustadora que foi interrompida pelo teu choro estridente, estranhando este mundo — vasto mundo.

E você chegou. E só.
Um instante que ressignifica o caminhar de qualquer homem: ser pai.
Uma mistura de felicidade e medo; a consciência de que, a partir dali, já não se anda só no mundo. Há para quem os pensamentos e as orações são direcionados. Há um motivo para não desistir quando as tempestades chegam, um farol no caos.

Queria poder salvaguardar todos os seus caminhos. Ser o próprio escudo, usando meu corpo e minha alma. Mas não posso. Não devo. Há coisas pelas quais você, necessariamente, terá que passar. É o seu caminho. É a sua jornada. Ainda que eu chore, ainda que eu sangre… será você contra você na caminhada.

Só lembre da Grande Luz que sempre existirá na tempestade. Sempre. Acredite, já passei por lá.

Como você se parece comigo — e isso, às vezes, me assusta. Tens os sonhos do mundo e o medo dos fracassos, mas isso, querida, compõe esse concerto existencial. Mantenha os sonhos, dome os medos e ofereça café a eles. Declame poesias. Ouça Belchior. Escreva uma crônica aleatória. Seja.

Aproprie-se de tudo aquilo que já é seu.
Há algo maravilhoso à sua espera.
Vá!

SILVA, Marcello.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2025

IV Sarau Literário da Escola E.F. São Pedro homenageia Marcello Silva


No dia 12 de dezembro de 2025, a Escola E.F. São Pedro, localizada no Distrito de Carneiro, em Chaval/CE, foi palco do IV Sarau Literário da turma do 5º ano, um evento marcado pela sensibilidade artística e pelo fortalecimento da cultura literária no ambiente escolar. Com início às 15h, o sarau teve como temática “Uma viagem pelas obras de Marcello Silva” escritor chavalense e ex-aluno da instituição, homenageado pela comunidade escolar por sua trajetória na literatura.

O evento contou com a presença do corpo gestor da escola, representado pela diretora Marlene de Pinho e pela coordenadora pedagógica Daiane Rocha, além dos professores Antônio de Pádua, Cirliane Galeno, Clecildo Cardoso, Ivanilde Veras e das professoras idealizadoras do sarau, Francisca Santos e Josélia Oliveira, responsáveis pela concepção e execução do projeto. Representando a Secretaria Municipal de Educação, esteve presente o formador de matemática Valdemi Jeremias. Também prestigiaram o momento os pais do autor homenageado, o senhor Otalício e dona Maria de Lourdes, além de familiares e amigos dos alunos. O evento contou ainda com o apoio e dedicação de todos os funcionários da escola, fundamentais para o sucesso da iniciativa.

Mais do que um sarau literário, o encontro transformou-se em um verdadeiro espetáculo cultural. Os alunos encantaram o público com recitações de poemas, encenações teatrais, apresentações de dança, exposição de fotografias e desenhos inspirados nas obras de Marcello Silva, demonstrando criatividade, sensibilidade e profundo envolvimento com o projeto desenvolvido ao longo do ano letivo.

Durante a programação, foram exibidos vídeos com depoimentos de amigos e familiares do escritor, incluindo sua filha, Maria Cecília, de 15 anos, que já desponta como jovem escritora. Na ocasião, foi destacada a sólida carreira literária de Marcello Silva, autor de quatro livros — O Pescador, Homo Cactus, Na Garganta Um Sertão Enjaulado e Cangaceiro Fantasma —, além de dezenas de coautorias em coletâneas publicadas em todo o Brasil. Também foram evidenciadas as diversas premiações conquistadas ao longo de sua trajetória, reafirmando a relevância de sua produção literária.

O sucesso do IV Sarau Literário reflete o magnífico trabalho desenvolvido pelas professoras Josélia Oliveira e Francisca Santos, bem como o empenho de toda a equipe escolar, que acreditou no poder transformador da literatura. Merece destaque, ainda, o compromisso e a dedicação dos alunos do 5º ano, que conduziram o projeto com maestria, protagonismo e entusiasmo.

Ao final, o evento reafirmou a importância da literatura e da arte na formação escolar e pessoal dos estudantes, mostrando que a escola é um espaço privilegiado para o despertar de talentos, o fortalecimento da identidade cultural e a construção de cidadãos críticos, sensíveis e criativos.

Fotos: Colaboradores da Escola São Pedro 


terça-feira, 21 de outubro de 2025

Escritor Marcello Silva marca presença na Festa Literária de Acaraú com o livro Cangaceiro Fantasma


Entre os dias 16 e 18 de outubro, o município de Acaraú, no Litoral Norte do Ceará, foi palco de um dos mais expressivos eventos culturais da região: a Festa Literária de Acaraú, realizada como parte da Feira Literária do Ceará. O encontro reuniu escritores, artistas, estudantes e leitores em um ambiente de intensa troca de experiências, fortalecendo a cena literária e cultural do interior cearense.

Na vasta programação, esteve a participação do escritor Marcello Silva, que apresentou ao público seu mais recente trabalho, o livro Cangaceiro Fantasma. A obra, que une elementos do regionalismo e do imaginário sertanejo e despertou grande interesse dos visitantes.

Além da exposição de obras, a Festa Literária também foi marcada por alguns lançamentos de livros, dentre esses, houve o lançamento da Coletânea Café do Cazuza, que reúne textos de autores chavalenses. A publicação teve seu lançamento oficial no evento no dia 16 de outubro, com a presença dos escritores Marcello Silva, Rosinha Maciel e Luciana Fernandes, celebrando o fortalecimento da produção literária de Chaval/CE e o intercâmbio entre criadores da região.

Mais do que um evento literário, a Festa Literária de Acaraú movimentou a economia local, atraindo visitantes de várias cidades do Litoral Norte e gerando impacto positivo em setores como o turismo, a hotelaria e o comércio. A iniciativa também teve importante papel social e educacional, ao aproximar estudantes e jovens leitores do universo do livro e da leitura.

Com uma programação diversa, que envolveu debates, lançamentos, apresentações culturais e oficinas, a Festa Literária de Acaraú consolidou-se como um espaço de valorização da identidade regional e de incentivo à cultura como instrumento de transformação. A participação de autores como Marcello Silva, dentre outros, reforça a relevância do evento e o potencial do Litoral Norte cearense como polo de criação literária e difusão cultural.

A Feira Literária do Ceará é uma realização do Governo do estado, por meio da Secretaria da Cultura (Secult Ceará), e pelo Governo Federal, por meio do Ministério da Cultura (MinC), via Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB). Conta com apoio institucional da Biblioteca Pública do Estado do Ceará (Bece), do Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Ceará (SEBP/CE), das Prefeituras Municipais de Limoeiro do Norte e de Acaraú, e parceria do Banco do Nordeste. A produção é do Instituto Assum Preto.
















sábado, 30 de agosto de 2025

Encerramento da Ocupação Literária Academia Viva 2025 celebra escritores e difusão da literatura em Parnaíba/PI


Na noite de ontem, 29 de agosto de 2025, o auditório do Sesc Avenida, em Parnaíba/PI, foi palco do encerramento da ocupação literária “Academia Viva 2025”, promovida pela Academia Parnaibana de Letras (APAL) por meio do EDITAL 03/2024 PNAB – “Espaço Cultural Amélia Beviláqua”, iniciativa da Secretaria de Cultura do Piauí (Secult-PI).

O projeto, que desde maio movimentou a cena cultural com oficinas, rodas de conversa, concursos, lançamentos de livros e ações de fomento à produção literária, reuniu escritores, leitores e admiradores da arte em um encontro memorável de celebração à palavra e à criatividade.

Premiações e homenagens

Durante o evento, realizado das 19h às 21h, foram entregues as premiações de três importantes concursos literários:

Edital Lígia Ferraz de Fomento à Produção Literária – vencedores: João Paulo Nascimento, Mauro Sousa, Morgana Sales, Josiel Barros e Jedson Martins.

Concurso de Textos Paulo de Tarso Mendes de Souza – vencedores: Carlos Antônio Galeno, Carlos Eduardo Silva, João Paulo Nascimento, Paloma Santos e Pamela Santos.

II Prêmio Escritor Parnaibano – Edição Diderot Mavignier – vencedores: Marcello Silva, Sousa Filho, Eudes Sousa, Fernanda Costa e Carlos Henrique Nogueira.

Além da entrega dos prêmios, a noite contou com declamações de poesias dos autores vencedores, emocionando o público presente.

Falas e celebrações

A cerimônia, conduzida pelo escritor Daltro Paiva, também foi marcada pelas falas de dirigentes da Academia Parnaibana de Letras e da comissão organizadora: José Luis de Carvalho (presidente), Antônio Galas (secretário) e Claucio Ciarlini (membro). Os oradores destacaram a importância do projeto Academia Viva, que vem ampliando o acesso à literatura, fortalecendo a cena cultural local e oferecendo oportunidades a novos escritores.

Após as solenidades, o público participou de um coffeebreak e de uma animada sessão de autógrafos com escritores que lançaram suas obras durante a ocupação. O auditório esteve lotado, reunindo escritores, amigos, familiares e amantes da literatura de Parnaíba e região.

A força dos editais culturais

O Academia Viva 2025 reforçou o impacto positivo dos editais públicos, como o PNAB (Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura ) e o SIEC (Sistema de Incentivo Estadual à Cultura do Piauí), fundamentais para democratizar o acesso à cultura e valorizar o trabalho de artistas e escritores piauienses.

“Projetos como este consolidam a literatura como força viva, que não apenas preserva memórias, mas também abre caminhos para novas vozes”, ressaltaram os organizadores.

O evento deixou a marca de que a literatura em Parnaíba está em plena efervescência, pulsando entre gerações e reafirmando-se como patrimônio cultural da cidade.







segunda-feira, 23 de junho de 2025

Concha Marinha – Santiago Pontes e os abismos poéticos da existência


Santiago Pontes, camocinense com alma filosófica e coração marítimo, entrega ao leitor em Concha Marinha uma obra de duplo mergulho: poesia e prosa entrelaçadas por um fio temático que atravessa toda a sua produção — o mar. Depois de Homem do Mar e Oceano de Mim, este livro, publicado de forma independente em 2023, reafirma o elemento marítimo como metáfora existencial, território de reflexão e espelho do eu.

Dividida em duas partes — a primeira dedicada à poesia, a segunda aos contos — Concha Marinha é, desde o título, um convite a escutar o som interno das coisas. A concha, símbolo do que é ao mesmo tempo frágil e profundo, torna-se aqui um objeto poético que guarda não apenas o rumor do oceano, mas também o eco dos dilemas humanos. Santiago escreve como quem recolhe pedaços de vida na areia e os transforma em texto.

A poesia da obra é confessional, filosófica e livre — não presa à rigidez formal, mas ancorada numa busca constante por sentido e beleza. Com linguagem coloquial e afetuosa, Santiago provoca e acolhe, reflete e questiona, oferecendo ao leitor versos que se aproximam como conversa e, ao mesmo tempo, reverberam como pensamento. É uma escrita que não teme os grandes temas — amor, solidão, morte, tempo —, mas os aborda com simplicidade e profundidade, como se cada poema fosse uma âncora lançada ao fundo do ser.

Já na segunda parte, dedicada à prosa, os contos revelam o domínio criativo do autor: há imaginação, fantasia, e uma habilidade peculiar de criar narrativas onde o cotidiano e o insólito se encontram. As histórias transitam entre o real e o fantástico, mantendo viva a provocação filosófica que permeia toda a obra. 

Concha Marinha é um livro para ser lido com vagar, como quem caminha pela praia recolhendo o que as marés deixaram. É também um convite a pensar a vida com leveza, mas sem superficialidade — marca dos bons escritores e dos bons filósofos. Santiago Pontes prova, com esta obra, que o mar continua a ser uma fonte inesgotável de perguntas e poesia.

SILVA, Marcello. 2025

domingo, 22 de junho de 2025

Poemas Ébrios – Sousa Filho e a embriaguez consciente da palavra


Poemas Ébrios, do parnaibano Sousa Filho, é uma obra de travessias — de estilos, de vozes, de estados da alma. Com 139 páginas e publicação independente em 2024, o livro revela um poeta de múltiplos registros e intenções, que transita com naturalidade entre o lirismo apaixonado, o tom elegíaco, a sátira política e o existencialismo inquieto. Uma poesia que, mesmo ébria, sabe muito bem onde pisa.

O título da obra já antecipa sua essência: poemas gestados sob a influência simbólica (e literal) do álcool, mas que não se perdem na embriaguez — antes, encontram nela uma lente para enxergar o mundo com maior nitidez e emoção. A palavra, aqui, é fermentada no tempo e destilada na sensibilidade. É poesia que flui como vinho velho em taça nova.

Sousa Filho recusa qualquer engessamento estético. Em sua escrita há traços de romantismo, realismo, parnasianismo, simbolismo, modernismo e até concretismo. O poeta desafia as escolas, hibridizando estilos com naturalidade e dando voz a um sujeito lírico que ora filosofa, ora confessa, ora denuncia. A linguagem percorre do erudito ao coloquial, criando um jogo rítmico e expressivo que enlaça leitor e poema num mesmo sopro.

O cordel, raiz importante da tradição nordestina, também marca presença em sua métrica e musicalidade, assim como a crítica social e o amor à terra natal, cantada com orgulho e melancolia. Há poemas fúnebres que tocam fundo, há sátiras que fazem rir e pensar, e há versos que sussurram com uma beleza quase mística. Em tudo, uma entrega sincera do poeta à palavra.

Ler Poemas Ébrios é participar de um banquete poético onde se serve o que há de mais humano: dores, delírios, utopias, perdas, encantamentos. Sousa Filho é um poeta que escreve como quem vive — intensamente. E nos brinda com uma poesia honesta, desassossegada, feita para ser sentida antes de ser rotulada.

SILVA, Marcello. 2025

Onde Estão Meus Girassóis? – Carvalho Filho e a delicadeza em tempestade


Onde Estão Meus Girassóis?, obra de estreia (em livro solo) do poeta parnaibano Carvalho Filho, publicada pela Editora Tremembé em 2022, é um livro que pulsa entre a técnica e a emoção, entre o clássico e o rebelde, entre o grito e o sussurro. Com 95 páginas que transbordam lirismo e inquietação, Carvalho revela-se um poeta de rigor formal e sensibilidade vibrante — um construtor de versos que respeita a métrica, sem abandonar a alma.

Influenciado por figuras como Van Gogh — cuja admiração transparece já no título e na simbólica capa do livro —, Carvalho faz dos girassóis uma metáfora persistente de busca, luz e esperança. Mas não uma esperança ingênua: seus poemas estão frequentemente atravessados por sombras, tempestades e a sensação de um mundo em ruína. Ainda assim, há beleza. Ainda assim, há flores.

A poesia aqui ora dança no compasso preciso das rimas e ritmos, ora explode em versos livres. Em muitos momentos, o leitor perceberá um “múltiplo de eus” pessoano, com ressonâncias do existencialismo melancólico de Florbela Espanca e da visceralidade de Augusto dos Anjos.

O que une toda essa pluralidade estética é uma marca autoral rara: a busca por um “eu” lírico que, mesmo desiludido, insiste em amar, em criar, em esperar seus girassóis. Em sua poesia, há um desalento manso, um desejo de transformação que se esconde na forma, e um trabalho artesanal com a palavra que impressiona, sobretudo em tempos de dispersão poética.

Carvalho Filho chega ao cenário literário piauiense com força e frescor. Onde Estão Meus Girassóis? é um livro que merece ser lido com calma, com olhos atentos e coração aberto — porque seus versos, embora construídos com rigor, sabem sangrar quando necessário. E é nesse paradoxo — entre a ordem e a paixão — que reside sua beleza mais profunda.

SILVA, Marcello. 2025

sábado, 31 de maio de 2025

Lançada a 4ª edição da Feira Literária de Barra Grande, em Cajueiro da Praia/PI


O lançamento da IV FLIBG – Feira literária de Barra Grande, na Villa dos Poetas Pousada, no povoado de Barra Grande/ Cajueiro da Praia/PI, na quinta feira(29), contou com a presença de autoridades, como a vice prefeita da cidade, Nathália Régia, Secretária de Cultura, Marília e a Secretária de Educação do município, Elivânia Damasceno além de professores/as, escritores e escritoras e representantes de parceiros do evento como a SEDUC /PI, SEBRAE, Sesc Caixeiral, IFPI/Parnaíba. Os homenageados desta edição, a escritora Sônia Terra, enviou mensagem de agradecimento e apoio a feira e o escritor homenageado Claucio Ciarlini, compareceu ao evento .

A Coordenadora da FLIBG, Josilene Neres, destacou a importância da Feira, que vai conectar escritores e escritoras regionais de todo o país e que têm como um dos objetivos, incentivar crianças e jovens estudantes e a comunidade em geral, à leitura com diversas atividades durante três dias, além de movimentar o turismo e a economia local com a comercialização de livros, artesanato, gastronomia e rede hoteleira: “teremos a presença de grandes escritores e lançamentos de livros em rodas de conversas e palestras, contação de histórias, shows, performances literárias e a participação de escritores como o poeta piauiense que atualmente mora em São Paulo, Rubervam Du Nascimento e o poeta maranhense Fernando Abreu.

As novidades desta FLIBG incluem também o prêmio de literatura Kenard Kruel que vai contar com a premiação orquestrada pela ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS, e o lançamento do livro de redações dos alunos de Cajueiro da Praia premiados na edição passada da feira, e o 2º Concurso de Redação. Josilene também citou a doação de livros e o cheque livros, por meio de parceria com a Secretaria Estadual de Educação do Piauí, um grande destaque da Feira, que segundo a escritora “vai facilitar aos alunos da rede pública a aquisição de publicações e grandes obras que muitos destes jovens não teriam condições de comprar”. A feira será em agosto e até lá muitas novidades ainda serão anunciadas, concluiu a cordenadora da FLIBG.

A IV Feira Literária de Barra Grande será realizada de 14 a 16 de agosto de 2025




Serviço:
IV FLIBG – BARRA GRANDE
14 A 16.08.2025
Contatos/Entrevistas
Edna Maciel – 86 9 8147 55 68
Josilene Neres -​86 9 8190-8097

sábado, 17 de maio de 2025

A Borda do Mar de Riatla – Diego Mendes Sousa e a reinvenção lírica do ser


A Borda do Mar de Riatla é uma travessia mitopoética que funde a memória, o mar, o mito e o amor numa só correnteza. Diego Mendes Sousa, poeta piauiense de rara sensibilidade e vasto repertório estético, confirma nesta obra sua posição de herdeiro dos transgressores da língua — à maneira de Manoel de Barros —, mas com uma lírica de densidade única, mais épica, mais luminosa.

Composto por 29 poemas divididos em dois capítulos — Borda d’Água e Altos-Mares, o livro é ilustrado com obras de Paul Gauguin, o que já indica seu temperamento estético: o exílio criativo, o desejo do longínquo, a reinvenção da beleza em territórios interiores. Mas ao contrário de Gauguin, que foi à Polinésia buscar inspiração, Diego mergulha em sua Parnaíba natal para encontrar o mar íntimo que o move. Parnaíba não é apenas lugar, é personagem, é elo genealógico, é raiz de todas as águas do autor.

No poema “Evocação da Parnaíba”, o poeta reconstrói a cidade com a matéria da memória, exaltando figuras históricas e familiares como quem ergue um altar afetivo. A Parnaíba dos vareiros, dos poetas, dos avós sábios, das ruas antigas e do cais torna-se, sob sua pena, um espaço quase mitológico, onde o tempo é cruzado com os pés calejados da infância e da perda. A linguagem é simultaneamente grandiloquente e confessional — o verso é largo, mas a emoção é funda.

A geografia poética de Riatla remete à mítica Pasárgada de Manuel Bandeira: ambas são territórios simbólicos criados pelo poeta para abrigar aquilo que o mundo real não comporta — desejos, memórias, ausências e utopias. Riatla, contudo, é mais líquida, mais fluida: mistura rio e mar, mito e memória, Altair (a musa) e Atlas (o peso do mundo). Ao contrário da Pasárgada idílica, Riatla é também um lugar de dor e saudade, como se o próprio chão se desfizesse em água — elemento central que percorre toda a obra como fonte de origem e dissolução. O verso “Eu vivo como o mar, bebendo os rios” do também piauiense R. Petit, poeta conterrâneo de Diego, condensa-se o espírito do livro: fusão, desejo, continuidade...Parnaíba...Piauí.

À Borda do Mar de Riatla é um canto inaugural, uma reza modernista, um grito sagrado. Nele, Diego Mendes Sousa mostra que é possível, mesmo no século XXI, construir uma poesia que recusa o raso, que convoca o sublime e que ancora a linguagem num novo humanismo poético.

SILVA, Marcello. 2025