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terça-feira, 27 de janeiro de 2026

Os Três Degraus, de Antônio de Pádua Marques Silva


Em Os Três Degraus (2025), Antônio de Pádua Marques Silva reafirma seu lugar central na prosa parnaibana ao reunir 46 contos que recriam a cidade de Parnaíba/PI em meados do século XX. A obra dialoga diretamente com Vinte Contos para Simplício Dias (2020), mantendo a mesma proposta estética: narrar o cotidiano da cidade a partir de seus tipos humanos, espaços simbólicos e acontecimentos históricos-ficcionais.

Com domínio da narrativa curta (neste caso o conto, mas o autor também é mestre no prosa romancista) Pádua Marques transforma fatos e personagens históricos em pano de fundo para histórias vivas, nas quais a memória coletiva se mistura à invenção literária. A liberdade poética com que o autor transita entre tempos e épocas permite que o passado seja reimaginado sem perder densidade histórica, convidando o leitor a aprender mais sobre Parnaíba por meio da literatura.

A força do livro está na capacidade de criar enredos envolventes, personagens verossímeis e atmosferas precisas, revelando uma cidade pulsante, contraditória e profundamente humana. Com 208 páginas, publicação independente, Os Três Degraus confirma Antônio de Pádua Marques Silva como um mestre da narrativa, possivelmente o maior prosador de Parnaíba e região, cuja escrita alia prazer  e preservação da memória.

SILVA, Marcello. 2026

domingo, 15 de janeiro de 2023

Pela "Serragem" de Padinha



Livro: Serragem
Autor: Antônio de Pádua Marques Silva
Produção independente (Fabio Diagramação e Editora)
120 páginas
Ano: 2022

O escritor Parnaibano, Pádua Marques, tem um jeito peculiar de escrever, pois sua prosa é intensa e bastante descritiva. O trabalho de Antônio Pádua Marques ou "Padinha" para os íntimos) é uma prosa rica de modo que o leitor adentra o universo descrito pelo autor de uma forma singular.

Os personagens descrito por Padinha ganham vida de tal forma que se confunde com pessoas comuns da rotina interiorana de uma cidade pequena, por exemplo. Em Serragem, cidade fictício da obra, poderia ser uma cidade tão próxima quanto Parnaíba, poderia ser Luís Correia, poderia ser Chaval, etc. porque tem um pouco de nós em cada personagem, em cada cenário criado pelo autor. Esses personagens ganham vidas e passam a ser um companheiros do leitor durante a apreciação da obra.

Segundo o autor ele disse que "Quando escrevi este livro eu tinha certeza que estava realizando um sonho antigo, o de mostrar com palavras o movimento de uma cidade nordestina, com seus tipos comuns ou incomuns..."


Para o prefaciador, poeta Cavalho Filho "...Em Serragem existe uma grande preocupação com os personagens, o que se expressa nas descrições físicas, na exposição de seus hábitos, vícios e virtudes."

Nezinho Doido: quantos Nezinhos Doidos não existem em nosso meio. Zé do Periquito, personagem irreverente. Cabo Domingos do Apito, parece tão nosso... Carlota Miranda, Demóstenes Tavares, Zé do Avião, Sansão da Rua do Tapete, Manequim de Zulmira, Anacleto Mascarenhas, Betinho da Travessa, Ditinha Meneses, parece a gente: eu, você ou alguém  conhecido,  e é isso que autor tem de mais relevante:  construir seus personagens de modo que eles possam ser confundido com seus próprios leitores. Padinha é um mestre da prova.


SILVA, Marcello. 2023.





terça-feira, 20 de outubro de 2020

“Vinte Contos para Simplício Dias” o novo livro de Pádua Marques.

 


Escrever é experimentar a sensação do criador no sétimo dia, ao observar suas criaturas forjadas na argila e metáforas. E é nesta construção metafórica que o escritor Antônio de Pádua Marques Silva nos brinda com mais um trabalho louvável: “Vinte Contos para Simplício Dias”.

Pádua Marques é um prosador do cotidiano. Como diria o escritor Vinícius de Moraes[1] “Senta-se diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com as suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo.” 

“Vinte Contos para Simplício Dias” reúne a coleção de 23 contos, nos quais o autor ousou utilizar a História e fatos verossímeis como planos de fundo para enriquecer sua prosa. Os contos em questão é uma mistura do real e do imaginário fértil do autor. Até que ponto é ficção ou verdade? Com esta indagação, o escritor nos fisga e nos prende na leitura da obra. Em cada linha é perceptível a escrita peculiar de Pádua Marques que não abre mão de palavras e variações linguísticas da sua região. 

Na obra em questão, Pádua Marques utiliza alguns nomes reais da família “Dias da Silva, personagens históricos e importantes no desenvolvimento social de Parnaíba e região nos séculos XVIII e XIX. A citar, o nome que dá título à obra: Simplício Dias da Silva, um dos mais importantes vultos da história do município, bem como, e sua esposa Isabel Tomásia. Por outra, o autor constrói personagens fictícios como o escravo Elias, servo ‘fiel’ a família Dias da Silva. Nesse contexto se desenvolve o enredo dos contos, descrevendo a vida cotidiana de Parnaíba no século XIX com sua Rua Grande, Praça da Graça, Porto das Barcas, Porto Salgado e, principalmente, descreve sua gente e seus instantes corriqueiros. 

Em “Vinte Contos para Simplício Dias” acontece de tudo um pouco, desde confusões provocadas pela invasão indígena à vila no conto “O bacamarte e a lança” passando pela espera da visita de imperador francês em “Simplício Dias à espera de Napoleão Bonaparte na praia da Pedra do Sal” e assim descreve o autor no conto: “Foi emocionante e ao mesmo tempo triste a expedição dos voluntários da Parnaíba que iriam enfrentar Napoleão Bonaparte e os seus soldados naquela que se chamaria a Batalha da Pedra do Sal”. Isto sem mencionar, o aparecimento de uma múmia egípcia, no conto “A múmia que dormiu na casa de Simplício Dias na Parnaíba”. 

Índios, escravos, cientistas, revoltosos, coronéis, comerciantes estrangeiros, dentre outros, resolvem aparecer pelo Cais do Porto, Praça das Graças ou Casa Grande e todos festejam a História, a Parnaíba e a memória dos tempos pretéritos, sob o comando da batuta do maestro da prosa, escritor Antônio de Pádua Marques Silva, “O Padinha”. 

Assim, caro leitor, não te conto mais! Convido-te a adentrar o “universo simpliciano” e se deleitar nas aventuras e imaginação de “Vinte Contos para Simplício Dias”

Marcello Silva - Escritor

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[1] MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São Paulo: Cia. das Letras, 1991


sexta-feira, 6 de julho de 2018

Homo Cactus - por Pádua Marques

Me pego lendo Homo Cactus, livro de contos de Marcello Silva. E vejo que as coisas estão mudando pra estas bandas da coroa do norte do Piauí, da serra da Ibiapaba e na nossa literatura. Já não existem mais fronteiras e obstáculos entre o lado de cá e o de lá. Sem querer ficar remoendo o tempo passado e a velhice que vem se aproximando na ponta dos pés, no meu tempo era difícil ver e ler coisas novas e descobrir novos escritores um dia após outro.

A gente por mais que tentasse acabava caindo nos clássicos universais e nos medalhões da literatura brasileira, Machado de Assis, Fagundes Varela, Bilac, Coelho Neto, Humberto de Campos, esse último para nos aproximar com as particularidades de nossa terra. Mas gente nova mesmo, quando chegava, era sempre difícil de ser assimilada. Mas os tempos são outros e há uma gente boa e nova construindo pontes entre as culturas sem dar importância às dificuldades.

Certo dia me deparei com o livro O Pescador, de um rapaz nascido e criado no Chaval, Marcello Silva. Li e reli o livro dele de ponta a ponta e cá comigo calculei o pulo que ele um dia iria dar. Entre poesias e crônicas ele falava de sua terra e de sua gente, seus costumes, a infância boa no meio de riachos, praias, lagoas, a casa da avó e essas tantas coisas boas que nos passam pela vida. Apurei a leitura e descobri um escritor em crescimento. E ele não estava só e nem me decepcionou. Havia mais e mais outros iguais a ele.

Parece, desculpem a comparação, que estavam eles iguais brinquedos raros e peças de arte do Oriente, guardados numa caixa e que uma mão inquieta um dia iria abrir. Esta geração está prometendo e já está fazendo muito e mais rápido. São mais unidos e alegres que a minha geração. Podem unir a música à poesia, a crônica ao teatro, o conto ao cinema e tudo vai dando certo e ficando bonito igual às rendas e os bordados das mulheres do Ceará.

Mas falando em Homo Cactus, o autor Marcello Silva está no seu melhor momento. Nesta obra está toda a sua terra, seus costumes, medos, brinquedos, lembranças, os pais e os irmãos, sua primeira escola, as ruas de sua cidade, as conversas e as superstições. Bonito de ler a rudeza dos diálogos, a descrição dos homens e das suas igrejas e casas. É bonito e gratificante ler uma obra igual a esta. E a gente acaba viajando entre os contos, seus títulos, frases e as letras, por entre as veredas que ninguém nunca imagina onde vão chegar.


*Antonio de Pádua Marques Silva, da Academia Parnaibana de Letras.