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sábado, 31 de maio de 2025

Lançada a 4ª edição da Feira Literária de Barra Grande, em Cajueiro da Praia/PI


O lançamento da IV FLIBG – Feira literária de Barra Grande, na Villa dos Poetas Pousada, no povoado de Barra Grande/ Cajueiro da Praia/PI, na quinta feira(29), contou com a presença de autoridades, como a vice prefeita da cidade, Nathália Régia, Secretária de Cultura, Marília e a Secretária de Educação do município, Elivânia Damasceno além de professores/as, escritores e escritoras e representantes de parceiros do evento como a SEDUC /PI, SEBRAE, Sesc Caixeiral, IFPI/Parnaíba. Os homenageados desta edição, a escritora Sônia Terra, enviou mensagem de agradecimento e apoio a feira e o escritor homenageado Claucio Ciarlini, compareceu ao evento .

A Coordenadora da FLIBG, Josilene Neres, destacou a importância da Feira, que vai conectar escritores e escritoras regionais de todo o país e que têm como um dos objetivos, incentivar crianças e jovens estudantes e a comunidade em geral, à leitura com diversas atividades durante três dias, além de movimentar o turismo e a economia local com a comercialização de livros, artesanato, gastronomia e rede hoteleira: “teremos a presença de grandes escritores e lançamentos de livros em rodas de conversas e palestras, contação de histórias, shows, performances literárias e a participação de escritores como o poeta piauiense que atualmente mora em São Paulo, Rubervam Du Nascimento e o poeta maranhense Fernando Abreu.

As novidades desta FLIBG incluem também o prêmio de literatura Kenard Kruel que vai contar com a premiação orquestrada pela ACADEMIA PIAUIENSE DE LETRAS, e o lançamento do livro de redações dos alunos de Cajueiro da Praia premiados na edição passada da feira, e o 2º Concurso de Redação. Josilene também citou a doação de livros e o cheque livros, por meio de parceria com a Secretaria Estadual de Educação do Piauí, um grande destaque da Feira, que segundo a escritora “vai facilitar aos alunos da rede pública a aquisição de publicações e grandes obras que muitos destes jovens não teriam condições de comprar”. A feira será em agosto e até lá muitas novidades ainda serão anunciadas, concluiu a cordenadora da FLIBG.

A IV Feira Literária de Barra Grande será realizada de 14 a 16 de agosto de 2025




Serviço:
IV FLIBG – BARRA GRANDE
14 A 16.08.2025
Contatos/Entrevistas
Edna Maciel – 86 9 8147 55 68
Josilene Neres -​86 9 8190-8097

sábado, 17 de maio de 2025

A Borda do Mar de Riatla – Diego Mendes Sousa e a reinvenção lírica do ser


A Borda do Mar de Riatla é uma travessia mitopoética que funde a memória, o mar, o mito e o amor numa só correnteza. Diego Mendes Sousa, poeta piauiense de rara sensibilidade e vasto repertório estético, confirma nesta obra sua posição de herdeiro dos transgressores da língua — à maneira de Manoel de Barros —, mas com uma lírica de densidade única, mais épica, mais luminosa.

Composto por 29 poemas divididos em dois capítulos — Borda d’Água e Altos-Mares, o livro é ilustrado com obras de Paul Gauguin, o que já indica seu temperamento estético: o exílio criativo, o desejo do longínquo, a reinvenção da beleza em territórios interiores. Mas ao contrário de Gauguin, que foi à Polinésia buscar inspiração, Diego mergulha em sua Parnaíba natal para encontrar o mar íntimo que o move. Parnaíba não é apenas lugar, é personagem, é elo genealógico, é raiz de todas as águas do autor.

No poema “Evocação da Parnaíba”, o poeta reconstrói a cidade com a matéria da memória, exaltando figuras históricas e familiares como quem ergue um altar afetivo. A Parnaíba dos vareiros, dos poetas, dos avós sábios, das ruas antigas e do cais torna-se, sob sua pena, um espaço quase mitológico, onde o tempo é cruzado com os pés calejados da infância e da perda. A linguagem é simultaneamente grandiloquente e confessional — o verso é largo, mas a emoção é funda.

A geografia poética de Riatla remete à mítica Pasárgada de Manuel Bandeira: ambas são territórios simbólicos criados pelo poeta para abrigar aquilo que o mundo real não comporta — desejos, memórias, ausências e utopias. Riatla, contudo, é mais líquida, mais fluida: mistura rio e mar, mito e memória, Altair (a musa) e Atlas (o peso do mundo). Ao contrário da Pasárgada idílica, Riatla é também um lugar de dor e saudade, como se o próprio chão se desfizesse em água — elemento central que percorre toda a obra como fonte de origem e dissolução. O verso “Eu vivo como o mar, bebendo os rios” do também piauiense R. Petit, poeta conterrâneo de Diego, condensa-se o espírito do livro: fusão, desejo, continuidade...Parnaíba...Piauí.

À Borda do Mar de Riatla é um canto inaugural, uma reza modernista, um grito sagrado. Nele, Diego Mendes Sousa mostra que é possível, mesmo no século XXI, construir uma poesia que recusa o raso, que convoca o sublime e que ancora a linguagem num novo humanismo poético.

SILVA, Marcello. 2025

Resenha Literária: O Argonauta de Si Mesmo – F. Gerson Meneses e a viagem interior do poeta


Em O Argonauta de Si Mesmo, o poeta piauiense F. Gerson Meneses convida o leitor a lançar-se em uma travessia poética profundamente pessoal e universal. Inspirado na figura mitológica dos argonautas — os navegadores da embarcação Argo, liderados por Jasão na busca pelo Velocino de Ouro — Meneses assume o leme de uma jornada interior, onde o oceano é o próprio eu, e os poemas, as ilhas, vulcões e tempestades do inconsciente.

Após o sucesso de Versos Retos de um Poeta Torto (2018), o autor volta mais maduro, mais afiado, mais visceral. Se a obra anterior já revelava um poeta de grande domínio da linguagem, aqui ele expande seus horizontes, compondo 58 poemas distribuídos em cinco capítulos: Devaneando, Natureza, Encontros, Vida e Ensaio de Cordel. São seções que, como mapas náuticos, conduzem o leitor por experiências sensoriais, filosóficas e afetivas que vão do concreto ao onírico.

A beleza plástica da obra, com arte de capa simbólica (um homem a pensar em sua embarcação solitária) e ilustrações de Jason Fontenele, reforça o tom reflexivo que permeia os versos. O prefácio, assinado por Claucio Ciarlini, escritor e historiador, aponta com precisão a força do livro: sua capacidade de provocar, comover e transformar, mantendo viva a chama crítica frente aos absurdos políticos e sociais dos últimos anos — um eco contemporâneo do que fez Carlos Drummond de Andrade em A Rosa do Povo.

Meneses homenageia paisagens, escancara memórias, fala de amor mesmo quando há dor, e nunca esquece o torrão natal — como fez Da Costa e Silva ao cantar o Piauí. Sua escrita, por vezes romântica, por vezes concreta, nunca se aparta da emoção verdadeira. A poesia aqui é resiliência, é cicatriz e também sopro de esperança. É, como escreveu Octavio Paz, “um ato vital”.

O Argonauta de Si Mesmo não é apenas um livro: é um chamado. Uma viagem que, ao término, nos faz perceber que o maior destino da poesia é o encontro com aquilo que ainda pulsa em nós — mesmo quando o mar está revolto.

SILVA, Marcello. 2025

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Resenha Literária: Coleção Vozes do Piauí – Uma cartografia poética da diversidade


A Coleção Vozes do Piauí, idealizada pela Editora Tremembé no âmbito do Projeto Vozes do Piauí, é uma iniciativa profundamente enraizada no espírito da coletividade e da resistência literária. Com curadoria de Ana Ferreira, Gabriela Sena (in memoriam), Marcello Silva e Zilmar Júnior, e sob a coordenação do escritor Alexandre César Mendes Araújo, esta série de quatro coletâneas — Vozes Femininas, Vozes da Periferia, Vozes do Povo Negro e Vozes Ribeirinhas — representa um marco na história recente da literatura piauiense.

Mais do que uma reunião de textos, trata-se de um gesto político e poético: reunir autoras e autores de diferentes territórios e identidades para ecoarem, juntos, o que por muito tempo foi silenciado. Tal como nos versos de Torquato Neto — “a memória que suja a história que enferruja o que passou” —, essas vozes reconfiguram o passado e propõem novos significados ao presente, tornando o poema não um refúgio, mas uma intervenção no real.

Cada coletânea carrega o frescor e a densidade de narrativas poéticas que se entrelaçam, explorando temas como ancestralidade, pertencimento, resistência feminina, desigualdade social e a poética dos rios e das margens. São vozes que, como as de Torquato, H. Dobal ou Da Costa e Silva, não pedem licença para existir — ocupam, denunciam, encantam.

A pluralidade de estilos, que vai do verso livre ao metrificado, da prosa poética ao lirismo narrativo, revela não apenas a riqueza criativa do Piauí, mas a maturidade de um projeto literário que sabe ouvir e oferecer escuta. A força dessa coleção também reside na sua acessibilidade: exemplares distribuídos gratuitamente aos autores, escolas e às bibliotecas, num gesto de partilha que rompe com o elitismo editorial e insere a literatura no cotidiano das comunidades.

Aprovado pelo SIEC e patrocinado pelo Armazém Paraíba, o projeto destaca a urgência de se manter e ampliar os incentivos públicos à cultura. Sem tais políticas, muitas dessas vozes permaneceriam à margem. Vozes do Piauí mostra que a literatura, quando nasce do coletivo, é capaz de reinventar a memória, ampliar o pertencimento e transformar o silêncio em canto.

SILVA, Marcello. 2025


domingo, 13 de abril de 2025

Resenha Literária: Entre Gerações – Diálogos que atravessam o tempo


A coleção Entre Gerações é uma ponte construída com palavras, entre autores de diferentes idades, experiências e olhares, unidos por um propósito comum: fazer da literatura piauiense um espaço de encontro e continuidade. Idealizada por Claucio Ciarlinie José Luis de Carvalho em 2018, e composta por três volumes (Contos entre Gerações, Poemas entre Gerações e Crônicas entre Gerações), a série torna-se um marco editorial em Parnaíba e no Piauí, reunindo 78 autores numa verdadeira celebração da diversidade literária.

Desde nomes consagrados como Alcenor Candeira Filho e Elmar Carvalho, até jovens talentos que florescem nas margens da escrita, a coleção representa o espírito da coletividade, evocando a proposta do modernismo brasileiro que, em 1922, rompeu barreiras para dar espaço a novas vozes. A ideia de “gerações que conversam” lembra também o projeto Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Ítalo Moriconi, onde o tempo literário é menos uma linha cronológica e mais uma rede de afetos, influências e partilhas.

O primeiro volume, Contos entre Gerações, abre a trilogia com tramas diversas que mergulham na ficção e no cotidiano. O segundo, Poemas entre Gerações, lançado em meio à pandemia, resgata a lírica como resistência e ternura em tempos difíceis, mantendo viva a palavra mesmo no isolamento. Por fim, Crônicas entre Gerações encerra o ciclo com textos que oscilam entre a memória e o agora, construindo pontes emocionais com o leitor.

A culminância da coleção num evento coletivo, em dezembro de 2021, sintetiza seu verdadeiro sentido: não apenas publicar, mas reunir. Entre Gerações tornou-se um ato de eternizar ideias e vínculos — uma obra que, ao se inscrever na história da literatura piauiense, cumpre o papel maior da arte: deixar raízes para o futuro florescer.


Resenha Literária: Nau Lírica – Uma travessia de vozes e versos


Nau Lírica é mais que uma coletânea literária — é uma embarcação simbólica, um projeto de fôlego que conduz 75 autores por águas profundas de sentimentos, estilos e linguagens. Lançada em novembro de 2024, na Academia Parnaibana de Letras, e organizada pelo coletivo Piauí Poético, a obra é uma ode ao fazer literário colaborativo, à potência da diversidade e à força da escrita que nasce da margem para alcançar o oceano.

Com organização de Claucio Ciarlini, Jardel William, Lírio Reluzente e Wilson Maudonado, e projeto gráfico de Antônio Soares, a coletânea destaca-se pela multiplicidade: homens, mulheres, autores consagrados e estreantes, todos reunidos numa mesma nau que cruza o tempo e o espaço da criação literária. A imagem da "nau" evoca referências como Mensagem, de Fernando Pessoa, onde o mar também representa o destino dos que ousam imaginar. Aqui, no entanto, não se trata de uma nau solitária, mas coletiva — símbolo da partilha e do pertencimento.

A pluralidade de estilos — do lírico ao narrativo, do poético ao reflexivo — são caleidoscópios literários em que múltiplas vozes emergem para compor um retrato da produção de uma geração. Nau Lírica é igualmente uma fotografia poética e pulsante da literatura contemporânea piauiense, marcada por um desejo de expressão e renovação.

A coletânea insere-se no rico cenário literário do Piauí, dando continuidade a movimentos que exaltam a literatura regional como espelho de identidades e territórios. É, como disse o próprio Claucio Ciarlini, “uma verdadeira nau que navega pelas águas da literatura”, reunindo tripulantes de diferentes rotas num mesmo destino: a arte de escrever

SILVA, Marcello. 2025

Resenha Literária: Letras de Amarração II – Literatura viva da Planície Litorânea


A obra Letras de Amarração II é mais que uma coletânea literária; é um manifesto de pertença, memória e continuidade. Neste segundo volume da série, quinze autores — oriundos de Luís Correia, ou que ali fincaram suas raízes — entregam ao leitor um mosaico de sentimentos, saberes e vivências, entrelaçados pela geografia simbólica da Amarração.

Este livro coletivo celebra não apenas o espaço físico da Planície Litorânea do Piauí, mas a permanência de vozes que narram o cotidiano, a cultura e o imaginário popular da região com a sensibilidade da tradição oral reinventada em palavra escrita, dando protagonismo a uma literatura que emerge das margens com força própria.

A pluralidade estilística dos autores, muitos deles novos talentos ao lado de nomes já consolidados, evidencia a potência dos projetos colaborativos. Como em Terceira Margem do Rio, de Guimarães Rosa, há uma travessia simbólica em curso — entre o passado e o presente, o regional e o universal, a memória e a criação.

A obra também revela a importância das políticas públicas (Lei Paulo Gustavo) e incentivos à literatura local, destacando o papel fundamental de coletivos e editoras regionais na propagação da literatura piauiense. Letras de Amarração II é, portanto, um farol para a produção cultural do litoral nordestino, projetando vozes que merecem ecoar cada vez mais longe.

Organizadores: Antonio José Sales e Josiel Barros
Autores: Antonio José Sales, Daltro Paiva, Dêvia Lima, Edna Santos, Floriza Sales, João Francisco de Oliveira, José Ildegardo Saraiva Silva, Josiel Barros, Joyne Rodrigues de Oliveira, Maria Beatriz Sobrinho de Souza, Maria da Luz de Carvalho Santos, Marli Pereira Barros, Moisés Pereira dos Santos, Solange Veras Roque e Trícia Tiemy Inatomi Saraiva.

SILVA, Marcello. 2025

sábado, 12 de abril de 2025

Resenha Literária: Guardiões da Profecia de Fábio Keller


A série Guardiões da Profecia, do autor paranaense Fábio Keller, é uma notável incursão ao universo místico e folclórico do sertão nordestino, e, partindo da pena de um escritor sulista que, curiosamente, nunca pisou no Nordeste, é ainda, mais louvável. Composta por A Contenda do Sertão e A Caçada a Lucius, a obra surpreende pela autenticidade e respeito às tradições culturais, espirituais e lendárias da região.

No primeiro volume, desenrola-se uma épica batalha entre o bem e o mal no coração do sertão. O bem é representado por personagens vibrantes como o padre Getúlio, os cangaceiros Gavião, Sanhaço, Sussuarana e personagens sulistas: velho bruxo tropeiro e o menino indígena Charrua — figuras que evocam a força do imaginário nordestino-sulista. Já o mal ganha forma num exército de mortos-vivos liderados pelo Bruxo Mor Crocotá, liderando jagunços, volates e outros bruxos como Bartolomeu, que personificam o medo ancestral das forças ocultas.

Já em A Caçada a Lucius, a narrativa mistura elementos do terror e da fantasia folclórica. Lucius, uma criatura híbrida entre lobisomem, vampiro, etc. devasta a pacata Serra das Flores. Os guardiões, agora reforçados pelo misterioso Padre Lucas e por uma criança enigmática chamada Bento, enfrentam dilemas morais e desafios místicos numa jornada que é tão introspectiva quanto heróica.

Keller faz lembrar o regionalismo mágico de Ariano Suassuna e a tensão entre o sagrado e o profano presente em obras como Grande Sertão: Veredas, de Guimarães Rosa. No entanto, seu maior feito é dar voz ao Nordeste com um lirismo próprio, respeitando seus mitos, seu misticismo e sua religiosidade, construindo uma obra que honra essa região profunda.

SILVA, Marcello. 2025

domingo, 1 de setembro de 2024

As multifacetas artísticas de Heloísa H. M. De Miranda


Resenha Literária: "Poesia é Pintura - Poemas Ilustrados" de Heloísa Helena Mapurunga de Miranda

O livro "Poesia é Pintura - Poemas Ilustrados" da autora Heloísa Helena Mapurunga de Miranda é uma obra que entrelaça poesia e ilustração/pinturas, oferecendo ao leitor uma experiência rica e sensorial. Dividido em quatro capítulos distintos, o livro explora diferentes facetas da expressão poética e visual.

Capítulo 1. Livro dos Afetos

O primeiro capítulo, "Livro dos Afetos", é uma celebração da emoção e do sentimento. Nesta seção, a autora mergulha nas complexidades das relações humanas e nas nuances do amor, amizade e saudade. Os poemas são imbuídos de uma sensibilidade que parece dialogar diretamente com o leitor, enquanto as ilustrações complementam e amplificam a carga emocional das palavras. O uso de imagens visuais proporciona uma dimensão adicional, permitindo que os sentimentos evocativos ganhem vida de maneira ainda mais vívida.



Capítulo 2. Livro das Considerações

No "Livro das Considerações", o foco se desloca para reflexões mais profundas e filosóficas. Aqui, os poemas abordam temas universais e existenciais, explorando a natureza da vida, a busca por significado e a introspecção. A linguagem poética é ao mesmo tempo incisiva e contemplativa, incentivando o leitor a ponderar sobre questões maiores. As ilustrações nesta seção muitas vezes têm um caráter mais abstrato, refletindo a profundidade e a complexidade dos pensamentos abordados.

Capítulo 3. Livro das Viagens

O terceiro capítulo, "Livro das Viagens", é uma jornada através de diversos cenários e experiências. A autora leva o leitor a lugares distantes, reais e imaginários, através de versos que capturam a essência da aventura e do descobrimento. As ilustrações, neste caso, desempenham um papel crucial, oferecendo visões visuais de paisagens e culturas subjetivas que enriquecem a narrativa poética. A sensação de deslocamento e exploração é acentuada pela combinação harmoniosa entre texto e imagem.



Capítulo 4. Livro dos Acrósticos e Aforismos

Por fim, o "Livro dos Acrósticos e Aforismos" é uma seção que se destaca pela criatividade e pelo jogo com a forma poética. Os acrósticos oferecem uma estrutura formal onde cada letra de uma palavra-chave inicia uma nova linha de poesia, enquanto os aforismos fornecem reflexões concisas e impactantes. As ilustrações acompanham essas formas poéticas e explorando a estética da tipografia e a integração visual com o texto.

Considerações Finais

"Poesia é Pintura - Poemas Ilustrados" é uma obra que se destaca pela sua capacidade de combinar poesia e arte visual de maneira coesa e inovadora. Heloísa Helena Mapurunga de Miranda apresenta um trabalho que é tanto um deleite para os amantes da poesia quanto para aqueles que apreciam a arte visual. A interação entre texto e imagem enriquece a experiência de leitura, oferecendo múltiplas camadas de interpretação e apreciação. O livro é uma celebração do poder das palavras e das imagens para capturar e expressar a complexidade da experiência humana.


Ficha Técnica:


Autora: Heloísa Helena Mapurunga de Miranda

Ilustrações/Pinturas: Heloísa Helena Mapurunga de Miranda

Obra independente agraciada com a LEI Paulo Gustavo

Cidade/ano: Viçosa do Ceará/2024

Gênero: Poesia

Páginas: 83

Impressão: Sieart Gráfica e Editora.




quarta-feira, 1 de maio de 2024

Poema | Posdemia.


Imagem: Google
I

Luzes e enfeites,
A praça festeja sorrisos e cores
Aos abraços a rua vibra
O ar bate no peito
Com gosto de saudade...

O ano renasce... do casulo
Somos auto metamorfoses
Renascendo do ócio da Caverna de Platão.
Vamos além da imagem refletida na parede.
Quem somos?
Vamos!
Olha que dádiva esse esplendor de coisas...
E essa luz, foi sempre bela assim?

Silva, Marcello. 2020


II

E depois da tempestade
Vem sempre a harmonia
Não há mal que sempre dure
O bem ia vencer um dia
No entanto o passado
Serviu de aprendizado
Para viver a calmaria

Está na simplicidade
Essência de toda vida
E as coisas intangíveis
É o segredo da lida
O abraço do amigo
Que traz junto consigo
Uma alegria envolvida

Percebemos quão é belo
Nascer e o pôr do sol
Pescar nos igarapés
Ou ir jogar futebol
Sem rumo por aí sair
Pensamento esvair
Com as aves no arrebol

Valorizar cada detalhe:
 O afeto da nossa cria
Abraço de pai e mãe
Ao coração traz alegria
E respeitar os colegas
A ti amor não sonegas
Nessa vida posdemia.


SILVA, Marcello. 2020



terça-feira, 7 de março de 2023

Aos loucos de Pedras e Palavras | Atevaldo Rodrigues


O escritor chavalense Atevaldo Rodrigues prepara seu quarto livro de poesia que será lançado ainda este ano de 2023. Já demos uma lida, confira o que achamos:

Livro: Sobre Palavras e Pedras

Autor: Atevaldo Rodrigues

2023 (a ser lançado)

Aos loucos de Pedras e Palavras

Em seu quarto trabalho literário o escritor Atevaldo Rodrigues se consolida como um dos grandes poetas da nossa geração. Suas metáforas são comos pedradas nostálgicas que leva o leitor a refletir sobre coisas cotidianas percebidas e versadas pelo poeta com uma sutileza típica do autor.

"...Perder, eu fui aprendendo, com o tempo. / Lembro-me que quando perdi meu avô

/ Passei vários dias esperando que ele voltasse. / Que tudo era uma brincadeira..."

"Sobre Palavras e Pedras" é mais do que um livro simplesmente, é um instante, é um lugar, é o mundo metafórico e/ou metafísico de um poeta-menino que apesar de "ganhar" o mundo sempre volta à sua casa simples, à sua gente e a sua infância adormecida em sua memória. É como ser a palava que sangra da tinta ou o silêncio que adormece entrelinhas. Como diz o poeta: "...Da eterna sina de ser um só. / Quero ser palavra..."

Atevaldo Rodrigues traz em sua nova obra a sutileza e, ao mesmo tempo, a profundidade poética: "Quando eu morrer não deixarei pegadas fáceis, / Deixarei meus versos, apenas..."

O que é poeta? O que é poesia? Senão isto que nos provoca, assanha, acalma... Que emociona. Atevaldo é poeta como Manoel de Barros que canta as não-coisas, o vento, o pássaro e a saudade que mora na gente. "Sobre Palavras e Pedras" é um mundo para as crianças, os doidos ou estranhos que sofrem de poesia. "...Aos poetas, assim como aos loucos e às crianças, / É permitido ser qualquer coisa assim como árvore, pássaro ou pedra… / E não se exige atestado de insanidade. / Descobrir-me poeta foi a minha libertação."

Sugiro que leias Atevaldo Rodrigues, imediatamente.

Seus outros livros de poesia: Como se o céu fosse perto; Onde termina o Infinito; O mundo que carrego em mim.

Acompanhe o autor nas redes sociais: @atevaldorodriguesof


domingo, 15 de janeiro de 2023

Pela "Serragem" de Padinha



Livro: Serragem
Autor: Antônio de Pádua Marques Silva
Produção independente (Fabio Diagramação e Editora)
120 páginas
Ano: 2022

O escritor Parnaibano, Pádua Marques, tem um jeito peculiar de escrever, pois sua prosa é intensa e bastante descritiva. O trabalho de Antônio Pádua Marques ou "Padinha" para os íntimos) é uma prosa rica de modo que o leitor adentra o universo descrito pelo autor de uma forma singular.

Os personagens descrito por Padinha ganham vida de tal forma que se confunde com pessoas comuns da rotina interiorana de uma cidade pequena, por exemplo. Em Serragem, cidade fictício da obra, poderia ser uma cidade tão próxima quanto Parnaíba, poderia ser Luís Correia, poderia ser Chaval, etc. porque tem um pouco de nós em cada personagem, em cada cenário criado pelo autor. Esses personagens ganham vidas e passam a ser um companheiros do leitor durante a apreciação da obra.

Segundo o autor ele disse que "Quando escrevi este livro eu tinha certeza que estava realizando um sonho antigo, o de mostrar com palavras o movimento de uma cidade nordestina, com seus tipos comuns ou incomuns..."


Para o prefaciador, poeta Cavalho Filho "...Em Serragem existe uma grande preocupação com os personagens, o que se expressa nas descrições físicas, na exposição de seus hábitos, vícios e virtudes."

Nezinho Doido: quantos Nezinhos Doidos não existem em nosso meio. Zé do Periquito, personagem irreverente. Cabo Domingos do Apito, parece tão nosso... Carlota Miranda, Demóstenes Tavares, Zé do Avião, Sansão da Rua do Tapete, Manequim de Zulmira, Anacleto Mascarenhas, Betinho da Travessa, Ditinha Meneses, parece a gente: eu, você ou alguém  conhecido,  e é isso que autor tem de mais relevante:  construir seus personagens de modo que eles possam ser confundido com seus próprios leitores. Padinha é um mestre da prova.


SILVA, Marcello. 2023.





domingo, 8 de janeiro de 2023

Pelos "Estirões" de Benedito de Lima



Título: Estirões Retos e Gancheados
Autor: Benedito de Lima e Silva Filho
Sieart - Produção independente
247 páginas
Ano: 2022.

A a obra 'Estirões Reto e Gancheados" de Benedito de Lima e Silva Filho foi uma das melhores leitura que tive nos últimos meses, pois a obra apresenta uma riqueza descritiva impressionante. O autor nos blinda com uma prosa recheada de informações, ora pode ser fictícia, ora pode ser real. O que tem de realidade na obra ficcional do autor? É um trabalho que foge a qualquer nomenclatura, se é um texto autobiográfico se é um romance convencional... O autor também brinca com a temporalidade do texto, ora ele é criança, ora é adulto, noutra é adolescente e esse "brincar" na cronologia temporal dá uma particularidade ao texto do autor.

Para o prefaciador, o escritor e poeta Valdir Ferreira Lima, "...a narrativa começa em muitos lugares, sendo interrompida, para continuar lá na frente, como se fossem afluentes, circuitos gancheados se juntando ao Parnaíba, o rio memorável que dá nome a cidade onde mora o autor"

Benedito de Lima nos leva a revisitar uma Parnaíba antiga, um Bairro São José com suas vielas e barros, com sua gente e personagens reais vou não. Na orelha da obra O autor se definiu

"Sou da Vala sou da Quarenta
Sou do São José 
Sou da Santa casa que mija em mim
Sou do porto de todas as barcas 
De amores sem fim 
Sou dos Tucuns 
Do cabarés da Brasília
Com casa simples e porcas
De mulheres feias e tristes
Que viviam bêbadas...
(...)"

De fato um trabalho diferente porque mistura realidade e ficção, autobiografia e romance, causo, história.... Por vez ficamos a questionar Será que é o Bené (carinhosamente chamado pelos conhecidos) ou é um personagem. E agora quem está falando? O certo é que a gente acaba embarcando nessa aventura atemporal de ir e vir nesses Estirões Retos e gancheados de Bené. 

SILVA, Marcello. 2023.








sábado, 7 de janeiro de 2023

Cálida Timidez de Flávia Valois



Título: Cálida Timidez: quando uma pessoa introvertida grita no papel.
Autora: Flávia Valois
Editora: Arcadia
182 página
Ano: 2022

Esta obra é deliciosa de se degustar, uma prosa, às vezes tão poética e outra tão descritiva e humanamente voraz. São crônicas? são contos? são poemas? o que importa agora se o principal objetivo se atinge quando o leitor se sente parte do texto, se identificando nas linhas.

O livro se divide em três partes (1° - das impressões; 2° - das expressões; 3° - das (in)certezas ) e traz temáticas universais, no entanto, adaptada ao jeito peculiar de escrever da autora (parece que ela coloca o coração na caneta) que transborda em linhas e entrelinhas

Para prefaciadora Célia Santos "...um eu questionador tece obra. Um eu que reflete a respeito de tudo que o cerca". Já para Sara Lima, leitora Beta, "Cálida timidez tem tanto de Flávia e de poesia que como leitora me perco onde um começa e a outra termina"


Cecília, Aurora, Laura, Nina, Beatriz, Maia, etc. algumas personagens femininas ganham vozes e grita no papel, seria a própria autora? no texto "Feéricos perdidos do século XXI" a autora escreve "cada conto, crônica, poema e romance possui um sentido único. Mesmo misturados ao que somos, como personalidade, gostos e sonhos, as letras acabam adquirindo uma marca e identidade bem própria"

Como poeta fiquei extasiado (admirado) com o texto "feéricos e incompreendidos" pois se trata de um poema certeiro que penetra a alma da gente, além da poética há algo de filosófico no texto "em nós, estão os arames farpados do cotidiano / como desviar?"

Por fim, são textos que merecem inúmeras revisitações e em cada um delas se revela uma cálida timidez que grita no papel: lágrimas, sangue e esperança.

SILVA, Marcello. 2023

O Cupido que foi Flechado | por Eriedna da Hora



Título: O Cupido Que Foi Flechado
Autora: Eriedna da Hora
Produção independente (Plataforma UICLAP)
Livro de bolso (12x17 cm) e 30 páginas
Ano 2022.

Uma leitura rápida enquanto degustamos uma xícara de café e o aroma da tarde, apesar de curta é uma história interessante, pois nos provoca e nos leva a reflexão, tirando do lugar comum, da 'coisa certinha' afinal a temática amor sempre nos leva além.

Assim o enredo da história nos traz Gabriel, um cupido tradicional em seu dever convencional de unir casais, mas algo inusitado acontece (o título denuncia) quando ele conhece Isabela e, a partir disto, tudo sai do script do cupido.

Intriga, paixão, dilema, etc, essa breve história nos proporciona e no final a autora permite que o leitor construa seu próprio fim e isto eu gostei demais, já inventei uns dez.

SILVA, Marcello