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quarta-feira, 1 de maio de 2024

Poema | Posdemia.


Imagem: Google
I

Luzes e enfeites,
A praça festeja sorrisos e cores
Aos abraços a rua vibra
O ar bate no peito
Com gosto de saudade...

O ano renasce... do casulo
Somos auto metamorfoses
Renascendo do ócio da Caverna de Platão.
Vamos além da imagem refletida na parede.
Quem somos?
Vamos!
Olha que dádiva esse esplendor de coisas...
E essa luz, foi sempre bela assim?

Silva, Marcello. 2020


II

E depois da tempestade
Vem sempre a harmonia
Não há mal que sempre dure
O bem ia vencer um dia
No entanto o passado
Serviu de aprendizado
Para viver a calmaria

Está na simplicidade
Essência de toda vida
E as coisas intangíveis
É o segredo da lida
O abraço do amigo
Que traz junto consigo
Uma alegria envolvida

Percebemos quão é belo
Nascer e o pôr do sol
Pescar nos igarapés
Ou ir jogar futebol
Sem rumo por aí sair
Pensamento esvair
Com as aves no arrebol

Valorizar cada detalhe:
 O afeto da nossa cria
Abraço de pai e mãe
Ao coração traz alegria
E respeitar os colegas
A ti amor não sonegas
Nessa vida posdemia.


SILVA, Marcello. 2020



sábado, 27 de fevereiro de 2021

Marcello Silva é premiado em São Paulo.


O escritor chavalense Marcello Silva, autor dos livros
Homo Cactus e O Pescador, foi premiado no Estado de São Paulo com seu poema inédito "Andarilhos". Na cidade de Pindamonhangaba foi selecionado para XIV Festipoema 2020. Na cidade de Presidente Prudente foi selecionado no XIII CLIPP- Concurso Literário Ruth Campos. E por fim, foi o 2º colocado no IV edição do Concurso Literário Abrace um Autor do Instituto Federal de São Paulo, campus São Paulo.

No Festival de Pindamonhangaba o poema foi interpretado por Lana Santos (veja vídeo abaixo) em evento virtual, por causa da pandemia. Em Presidente Prudente será publicado uma antologia com os poemas selecionado. No Instituto Federal de São Paulo, os textos vencedores serão publicados na revista eletrônica Odisseia Literária. O escritor receberá certificados, troféu e uma quota de livros da coletânea com os autores vencedores.




O poema "Andarilhos"

Segundo o autor, o poema Andarilhos foi escrito para homenagear dois amigos "depois de uma vivência numa expedição na Pedra da Baliza, zona rural chavalense, veio a ideia de escrever esse poema ao Ricardo Fontenele e a Neyci Sotero, parceiros de expedição". Segundo o autor a intenção inicial era de publicar poema Andarilhos na Coletânea "Poemas entre Gerações", um trabalho que reuni 60 escritores e é organizado pelo Jornal O Piagui e a Academia Parnaibana de Letras. Essa coletânea será lançada em Dezembro.

"Depois dessa boa repercussão do poema, penso seriamente, em escrever mais algumas estrofes e transformá-lo em livro" conta o autor.



Fonte: Chavalzada



sábado, 24 de agosto de 2019

Poema | Enquanto Respiro.


Tempo posto em minhas mãos 
Esmagado entre os dedos. 
E ainda me foge como pássaro cego em revoada ao crepúsculo

Não sei se levo a vida sobre meus ombros 
Ou se em suas asas de veludo sou levado; 
Não sei se a ganho a cada aurora para perdê-la ao ocaso 
Ou se ela, me ganha todo dia. 
Sem que eu possa notar.

Tempo, tempo, tempo... 
Essa navalha afiada que me retalha o corpo 
Deixando escoriações e marcas, 
Pelas quais, um rubro sangue escorre... 
Intenso como a insana vontade de superação.

Fica aos ares o meu apelo, o meu alento. 
Que me esqueçam por alguns séculos e me deixe aqui, 
Imortalizado em pensamentos, moldurado por emoções 
Passageiras e tendo á frente às horas paralisada como um 
Quadro velho, sujo e mal pintado.

SILVA, Marcello. O Pescador. Chiado Editora, 2015.

quarta-feira, 10 de abril de 2019

Cavaleiro Medieval



Eu, cavaleiro medieval. 

Vindo de terras distantes 

Além das matas que se findam ao alcance dos olhos meus 

Perdi-me nos templos antigos 

Em meios a esculturas esbeltas 

Dos deuses, ninfas e anjos solitários. 

Procuro-me todo dia 

Reviro-me ao avesso 

Não me encontro 

Estou repousado na sombra da historia 

Ainda não estudada... 

Nos braços de Vênus me apazíguo e vivo... 


SILVA, Marcello. O Pescador. pag 16, Chiado Editora, 2015
Imagem: Google


quinta-feira, 19 de abril de 2018

Poema | Rotina...



Prisioneiro do tempo 

Agregado as correntes das horas 
Sou escravo do pêndulo do meu relógio 

Obediente ao comando do tic-tac... Rouco e lento 
Feito passos de solidão adentrando as fracas lembranças humanas


Desperto-me na existência
Como de um sono breve e melancólico 
Por mim passam faces e corpos
Quão belas mulheres, cujos passos não descrevo
E cujas bocas ingerem -me a inspiração. 
Portanto, calo-me.

O que faço apegado á monotonia dos minutos,
Fragmentos do meu dia, quieto e igual a outros tantos?


SILVA, Marcello. 2018


quarta-feira, 8 de novembro de 2017

Poema | Velas & Flores.


Entre túmulos mataram a saudade
No epitáfio das paixões avassaladoras,
Antes que morra o amor-menino, prematuro,
Assassinaram a nostalgia a golpes quentes de beijos e abraços.

Descansam ali, amantes dos vagos tempos de outrora
Na lápide desbotada, o resumo de quem foram:
Ninguém, senão poetas!

Viveram na brevidade do eterno por alguns minutos
O que não basta para saciar o desejo de possuir a infinitude
Do abraço do outro. Não basta!

Velas. Flores. Crucifixos. Sepulturas.
Que os mortos perdoem os invasores,
Pois os vivos, certamente, não perdoarão.

Pater noster, qui es in caelis: Sanctificétur nomen tuum.



SILVA, Marcello. 2017

terça-feira, 12 de setembro de 2017

Poema | Sicrano




SICRANO
Vasculho - me
Reviro - me
Reinvento - me
Me anexo ao subtendido dos silêncios uivantes

Peregrino sem rima
Deserto afora
Com sede de metáforas 
Saara do Silva
De carona com as miragens eloquentes 
Me invado... Evado - me

Cadê a lâmpada mágica? 
Eu serei o meu gênio? 
Brincarei de criador 
Profano 
Mera criatura reinventada
Reinventando...


SILVA, Marcello. O Pescador. Chiado Editora, 2015. Pag. 14 
Foto: Grupo Versania 

segunda-feira, 21 de agosto de 2017

Poeta Pescador - Luana Silva

Ao poeta pescador 

Pés descalços,
arranhões expostos,
pernas, corpo e rosto.

Sob o sol do meio dia,
queima minha tez, já escurecida da lida, da dureza da vida.

Mas insisto e permaneço, perseverar é o meu preço a pagar.

Pelo pão de cada dia, para que nunca venha a faltar um bocado de pão na boca daqueles a quem tenho que criar.

Dias vem, 
Dias tem,
Dias não.

Mas não desânimo não,
sob a bênção de Deus, 
sigo minha missão.

Nas águas do riacho, me encontro em solidão.
A espera do bom tempo, para ter a almejada provisão.

Dias vem,
Dias vão.

Na lida permaneço, 
aguentando os dias escassos,
na fé dos dias bons.

Pela alegria ou pela dor, regido por meu senhor.

Sou poeta, sou pescador.

Texto de Luana Silva

quinta-feira, 25 de maio de 2017

Poema | Morre tardinha, morre.


O dia morre lento
No morro ali atrás
É levado leve pelo vento
E sugado cada vez mais

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

As mulheres passam vazias
Numa ligeira passagem
Cheias de confusões e melancolias
Como doces e alegres miragens

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

Passou Florine, passou
Cheia de charme e melodia
Cantou uma música, cantou
E deixou meu coração numa euforia

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

Passaram Camilas sorridentes
Como lindos anjos perdidos
Passaram Marias inocentes
De olhares sem sentidos

Morre tardinha morre
Vem ninar em meus braços…

Ficam as ilusões alheias
Guardadas no meu armário
A trade é fria e feia
E o dia necessário

Morre tardinha, morre
No morro ali atrás
E vem ninar em meus braços
Vem. Vem cada vez mais.


COPYRIGHT © 2017 MARCELLO SILVA

sábado, 29 de abril de 2017


quarta-feira, 8 de março de 2017

Mil Faces (As mulheres que não vi)



Quantas mulheres se escondem em uma só?
Quantos gritos resumidos, em um único gemido?


Mulheres que não vi
Escondidas sob uma única pele
Detrás de dois olhos apenas.
Quantas personalidades, jeitos, andares,
Olhares… Num único corpo.


Quantas faces!


Amar sob pressão do ódio
Odiar por tanto amar tanto
No entanto
Nunca amar.


Dentro de uma bela reside uma fera
Uma cinderela, branca de neve
Pequena sereia…
Ainda que astutas, também adormecidas


Quantas personagens sem nome!
Quantas vozes caladas!
Quantos caminhos não percorridos,


Roteiros incertos!


Quantas faces!


Quantas utopias esquecidas,
Amores roubados.
Quantas mulheres morrem
Dentro de uma única, sem terem sido, sequer notadas?

SILVA, Marcello. O Pescador. 1ª ed. Chiado Editora, 2015.
Ilustração: Frank Carneiro.


sábado, 18 de fevereiro de 2017

Não se esqueçam da Rosa



Não se esqueça da rosa
Não a “rosa viniciana”; não a rosa do jardim Botânico
Não a rosa do Parque Ibirapuera nem tampouco a rosa do Éden,
Mas a rosa que nasceu em teu quintal
Entre a cerca caída e o muro mal rebocado sob
Entulhos e lixos jogados.

Não se esqueça da rosa,
Plácida, incolor e insípida
O que importa sua cor ou seu cheiro?
Necessário é entender o porquê de seu nascer repentino.

Não se esqueça da rosa
Que com ela trouxe esperança , sentido novo,
Caminho diferente para que tu agora siga
Retilíneo a tua vitória.

SILVA, Marcello. 2017

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016


segunda-feira, 14 de novembro de 2016

Poema | Superlua


Imagem: Sergei Grits/ AP



Tocou-me uma lua cheia
Quando eu, inebriado de amor,
No Porto das Canoas adormecia.

O que mais deseja um homem apaixonado,
Senão uma 'superlua' cheia?
Eu no discurso derradeiro calo-me.
Posto entre amigos e inimigos observo-os.
Se carrego em mim dez segredo grudados à Pele
Escondo-os sob a intensa melanina...

'Lua chavalense' que aqueceu a alma amante,
Por um instante, do meu triste poema .

quinta-feira, 6 de outubro de 2016

Poema | Enquanto Vivo

ENQUANTO VIVO

Em devaneios vivo mergulhado inteiro
Sedento lançado na louca vertigem
Em que me vejo num beijo derradeiro
Emanado de tua linda boca virgem

Insana euforia por um beijo 
Ainda me invade fugazmente 
Como se cá, esse louco desejo. 
Consumisse-me a inocência lentamente.

Tua face de anjo me persegue 
Ainda que eu em fuga me esquive 
A ti, pois, já estou entregue. 
De uma forma que nunca estive.

Se por medo fujo sem pensar 
É por não saber que me apreendo 
Que se afastar de ti é se aprisionar 
De tanto fugir, é aos teus braços ir correndo.

SILVA, Marcello. O Pescador. Chiado Editora, 2015. pg 41




quarta-feira, 24 de junho de 2015


quinta-feira, 28 de maio de 2015

Basta!


É como se me bastasse esse instante em que habito

É tudo de necessário que necessito para existir
Gritos do passado ecoam nas paredes e eu os renego
Como quem dispensa a droga que o alimenta, por saber que ela também o matará...

Renego teus beijos e tuas promessas fáceis 
Esse teu cheiro de éter não mais me ludibriará 
Já conheço seus truques... Mágica repetida

Basta!

Não quero voltar a habitar teu mundo incerto
Ainda que belo e alucinógeno. Não, não a quero!
Basta!



segunda-feira, 23 de março de 2015

Doce Veneno


Me perdi no instante em que te vi
Me desgracei em tua graciosidade
Malévola princesa...

Que é isto de insano em ti,
Que, ao passo que me sustenta,
Também me devora ?

Querer teu amor
É mesmo que desejar cicuta
É morrer por uma razão que só eu conheço...

Marcello Silva - PHB, 2015

terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Crepuscular



(a Carmen Silvia Presotto)

Cai a tarde aos pés
Implorando poesias.
Declamo Billac
Leio Carmen

Café puro me congela os neurônios
o conhaque falsificado não me alegra…
Tenho a tarde e as dobras do tempo
em encaixes com postigos…

Entre poemas invento veredas
vestígios de caligrafia
sinais de poesias.

Me identifico…
me perco entre metáforas na solidão crepuscular…


Marcello Silva

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Mãe, bicho estranho ...


(à Mª de Lourdes V. Silva)

Mãe...
Que bicho estranho é este,
Que sangra lágrimas nas madrugadas?
Que morre todo dia para dá vida à sua prole?
Suicida?
Deveras

De que matéria é constituída?
Parece concreto.
Irredutível rocha

Doce engano...

É maleável
Frágil cristal
Flor das serranias.

E, dizem, que seu colo possui a sinfonia dos anjos e querubins
E seus afagos, o cânticos dos deuses.


Marcello Silva