A Borda do Mar de Riatla é uma travessia mitopoética que funde a memória, o mar, o mito e o amor numa só correnteza. Diego Mendes Sousa, poeta piauiense de rara sensibilidade e vasto repertório estético, confirma nesta obra sua posição de herdeiro dos transgressores da língua — à maneira de Manoel de Barros —, mas com uma lírica de densidade única, mais épica, mais luminosa.
sábado, 17 de maio de 2025
A Borda do Mar de Riatla – Diego Mendes Sousa e a reinvenção lírica do ser
A Borda do Mar de Riatla é uma travessia mitopoética que funde a memória, o mar, o mito e o amor numa só correnteza. Diego Mendes Sousa, poeta piauiense de rara sensibilidade e vasto repertório estético, confirma nesta obra sua posição de herdeiro dos transgressores da língua — à maneira de Manoel de Barros —, mas com uma lírica de densidade única, mais épica, mais luminosa.
Resenha Literária: O Argonauta de Si Mesmo – F. Gerson Meneses e a viagem interior do poeta
Em O Argonauta de Si Mesmo, o poeta piauiense F. Gerson Meneses convida o leitor a lançar-se em uma travessia poética profundamente pessoal e universal. Inspirado na figura mitológica dos argonautas — os navegadores da embarcação Argo, liderados por Jasão na busca pelo Velocino de Ouro — Meneses assume o leme de uma jornada interior, onde o oceano é o próprio eu, e os poemas, as ilhas, vulcões e tempestades do inconsciente.
segunda-feira, 21 de abril de 2025
Resenha Literária: Coleção Vozes do Piauí – Uma cartografia poética da diversidade
Mais do que uma reunião de textos, trata-se de um gesto político e poético: reunir autoras e autores de diferentes territórios e identidades para ecoarem, juntos, o que por muito tempo foi silenciado. Tal como nos versos de Torquato Neto — “a memória que suja a história que enferruja o que passou” —, essas vozes reconfiguram o passado e propõem novos significados ao presente, tornando o poema não um refúgio, mas uma intervenção no real.
Cada coletânea carrega o frescor e a densidade de narrativas poéticas que se entrelaçam, explorando temas como ancestralidade, pertencimento, resistência feminina, desigualdade social e a poética dos rios e das margens. São vozes que, como as de Torquato, H. Dobal ou Da Costa e Silva, não pedem licença para existir — ocupam, denunciam, encantam.
A pluralidade de estilos, que vai do verso livre ao metrificado, da prosa poética ao lirismo narrativo, revela não apenas a riqueza criativa do Piauí, mas a maturidade de um projeto literário que sabe ouvir e oferecer escuta. A força dessa coleção também reside na sua acessibilidade: exemplares distribuídos gratuitamente aos autores, escolas e às bibliotecas, num gesto de partilha que rompe com o elitismo editorial e insere a literatura no cotidiano das comunidades.
Aprovado pelo SIEC e patrocinado pelo Armazém Paraíba, o projeto destaca a urgência de se manter e ampliar os incentivos públicos à cultura. Sem tais políticas, muitas dessas vozes permaneceriam à margem. Vozes do Piauí mostra que a literatura, quando nasce do coletivo, é capaz de reinventar a memória, ampliar o pertencimento e transformar o silêncio em canto.
SILVA, Marcello. 2025
domingo, 13 de abril de 2025
Resenha Literária: Entre Gerações – Diálogos que atravessam o tempo
A coleção Entre Gerações é uma ponte construída com palavras, entre autores de diferentes idades, experiências e olhares, unidos por um propósito comum: fazer da literatura piauiense um espaço de encontro e continuidade. Idealizada por Claucio Ciarlinie José Luis de Carvalho em 2018, e composta por três volumes (Contos entre Gerações, Poemas entre Gerações e Crônicas entre Gerações), a série torna-se um marco editorial em Parnaíba e no Piauí, reunindo 78 autores numa verdadeira celebração da diversidade literária.
Desde nomes consagrados como Alcenor Candeira Filho e Elmar Carvalho, até jovens talentos que florescem nas margens da escrita, a coleção representa o espírito da coletividade, evocando a proposta do modernismo brasileiro que, em 1922, rompeu barreiras para dar espaço a novas vozes. A ideia de “gerações que conversam” lembra também o projeto Os Cem Melhores Contos Brasileiros do Século, organizado por Ítalo Moriconi, onde o tempo literário é menos uma linha cronológica e mais uma rede de afetos, influências e partilhas.
O primeiro volume, Contos entre Gerações, abre a trilogia com tramas diversas que mergulham na ficção e no cotidiano. O segundo, Poemas entre Gerações, lançado em meio à pandemia, resgata a lírica como resistência e ternura em tempos difíceis, mantendo viva a palavra mesmo no isolamento. Por fim, Crônicas entre Gerações encerra o ciclo com textos que oscilam entre a memória e o agora, construindo pontes emocionais com o leitor.
A culminância da coleção num evento coletivo, em dezembro de 2021, sintetiza seu verdadeiro sentido: não apenas publicar, mas reunir. Entre Gerações tornou-se um ato de eternizar ideias e vínculos — uma obra que, ao se inscrever na história da literatura piauiense, cumpre o papel maior da arte: deixar raízes para o futuro florescer.
Resenha Literária: Nau Lírica – Uma travessia de vozes e versos
Nau Lírica é mais que uma coletânea literária — é uma embarcação simbólica, um projeto de fôlego que conduz 75 autores por águas profundas de sentimentos, estilos e linguagens. Lançada em novembro de 2024, na Academia Parnaibana de Letras, e organizada pelo coletivo Piauí Poético, a obra é uma ode ao fazer literário colaborativo, à potência da diversidade e à força da escrita que nasce da margem para alcançar o oceano.
Resenha Literária: Letras de Amarração II – Literatura viva da Planície Litorânea
A obra Letras de Amarração II é mais que uma coletânea literária; é um manifesto de pertença, memória e continuidade. Neste segundo volume da série, quinze autores — oriundos de Luís Correia, ou que ali fincaram suas raízes — entregam ao leitor um mosaico de sentimentos, saberes e vivências, entrelaçados pela geografia simbólica da Amarração.
sábado, 12 de abril de 2025
Resenha Literária: Guardiões da Profecia de Fábio Keller
A série Guardiões da Profecia, do autor paranaense Fábio Keller, é uma notável incursão ao universo místico e folclórico do sertão nordestino, e, partindo da pena de um escritor sulista que, curiosamente, nunca pisou no Nordeste, é ainda, mais louvável. Composta por A Contenda do Sertão e A Caçada a Lucius, a obra surpreende pela autenticidade e respeito às tradições culturais, espirituais e lendárias da região.
domingo, 1 de setembro de 2024
As multifacetas artísticas de Heloísa H. M. De Miranda
Resenha Literária: "Poesia é Pintura - Poemas Ilustrados" de Heloísa Helena Mapurunga de Miranda
O livro "Poesia é Pintura - Poemas Ilustrados" da autora Heloísa Helena Mapurunga de Miranda é uma obra que entrelaça poesia e ilustração/pinturas, oferecendo ao leitor uma experiência rica e sensorial. Dividido em quatro capítulos distintos, o livro explora diferentes facetas da expressão poética e visual.
Capítulo 1. Livro dos Afetos
O primeiro capítulo, "Livro dos Afetos", é uma celebração da emoção e do sentimento. Nesta seção, a autora mergulha nas complexidades das relações humanas e nas nuances do amor, amizade e saudade. Os poemas são imbuídos de uma sensibilidade que parece dialogar diretamente com o leitor, enquanto as ilustrações complementam e amplificam a carga emocional das palavras. O uso de imagens visuais proporciona uma dimensão adicional, permitindo que os sentimentos evocativos ganhem vida de maneira ainda mais vívida.
Capítulo 2. Livro das Considerações
No "Livro das Considerações", o foco se desloca para reflexões mais profundas e filosóficas. Aqui, os poemas abordam temas universais e existenciais, explorando a natureza da vida, a busca por significado e a introspecção. A linguagem poética é ao mesmo tempo incisiva e contemplativa, incentivando o leitor a ponderar sobre questões maiores. As ilustrações nesta seção muitas vezes têm um caráter mais abstrato, refletindo a profundidade e a complexidade dos pensamentos abordados.
Capítulo 3. Livro das Viagens
O terceiro capítulo, "Livro das Viagens", é uma jornada através de diversos cenários e experiências. A autora leva o leitor a lugares distantes, reais e imaginários, através de versos que capturam a essência da aventura e do descobrimento. As ilustrações, neste caso, desempenham um papel crucial, oferecendo visões visuais de paisagens e culturas subjetivas que enriquecem a narrativa poética. A sensação de deslocamento e exploração é acentuada pela combinação harmoniosa entre texto e imagem.
Capítulo 4. Livro dos Acrósticos e Aforismos
Por fim, o "Livro dos Acrósticos e Aforismos" é uma seção que se destaca pela criatividade e pelo jogo com a forma poética. Os acrósticos oferecem uma estrutura formal onde cada letra de uma palavra-chave inicia uma nova linha de poesia, enquanto os aforismos fornecem reflexões concisas e impactantes. As ilustrações acompanham essas formas poéticas e explorando a estética da tipografia e a integração visual com o texto.
Considerações Finais
"Poesia é Pintura - Poemas Ilustrados" é uma obra que se destaca pela sua capacidade de combinar poesia e arte visual de maneira coesa e inovadora. Heloísa Helena Mapurunga de Miranda apresenta um trabalho que é tanto um deleite para os amantes da poesia quanto para aqueles que apreciam a arte visual. A interação entre texto e imagem enriquece a experiência de leitura, oferecendo múltiplas camadas de interpretação e apreciação. O livro é uma celebração do poder das palavras e das imagens para capturar e expressar a complexidade da experiência humana.
Ficha Técnica:
Autora: Heloísa Helena Mapurunga de Miranda
Ilustrações/Pinturas: Heloísa Helena Mapurunga de Miranda
Obra independente agraciada com a LEI Paulo Gustavo
Cidade/ano: Viçosa do Ceará/2024
Gênero: Poesia
Páginas: 83
Impressão: Sieart Gráfica e Editora.
quarta-feira, 1 de maio de 2024
Poema | Posdemia.
terça-feira, 7 de março de 2023
Aos loucos de Pedras e Palavras | Atevaldo Rodrigues
O escritor chavalense Atevaldo Rodrigues prepara seu quarto livro de poesia que será lançado ainda este ano de 2023. Já demos uma lida, confira o que achamos:
Livro: Sobre Palavras e Pedras
Autor: Atevaldo Rodrigues
2023 (a ser lançado)
Aos loucos de Pedras e Palavras
Em seu quarto trabalho literário o escritor Atevaldo Rodrigues se consolida como um dos grandes poetas da nossa geração. Suas metáforas são comos pedradas nostálgicas que leva o leitor a refletir sobre coisas cotidianas percebidas e versadas pelo poeta com uma sutileza típica do autor.
"...Perder, eu fui aprendendo, com o tempo. / Lembro-me que quando perdi meu avô
/ Passei vários dias esperando que ele voltasse. / Que tudo era uma brincadeira..."
"Sobre Palavras e Pedras" é mais do que um livro simplesmente, é um instante, é um lugar, é o mundo metafórico e/ou metafísico de um poeta-menino que apesar de "ganhar" o mundo sempre volta à sua casa simples, à sua gente e a sua infância adormecida em sua memória. É como ser a palava que sangra da tinta ou o silêncio que adormece entrelinhas. Como diz o poeta: "...Da eterna sina de ser um só. / Quero ser palavra..."
Atevaldo Rodrigues traz em sua nova obra a sutileza e, ao mesmo tempo, a profundidade poética: "Quando eu morrer não deixarei pegadas fáceis, / Deixarei meus versos, apenas..."
O que é poeta? O que é poesia? Senão isto que nos provoca, assanha, acalma... Que emociona. Atevaldo é poeta como Manoel de Barros que canta as não-coisas, o vento, o pássaro e a saudade que mora na gente. "Sobre Palavras e Pedras" é um mundo para as crianças, os doidos ou estranhos que sofrem de poesia. "...Aos poetas, assim como aos loucos e às crianças, / É permitido ser qualquer coisa assim como árvore, pássaro ou pedra… / E não se exige atestado de insanidade. / Descobrir-me poeta foi a minha libertação."
Sugiro que leias Atevaldo Rodrigues, imediatamente.
Seus outros livros de poesia: Como se o céu fosse perto; Onde termina o Infinito; O mundo que carrego em mim.
Acompanhe o autor nas redes sociais: @atevaldorodriguesof
domingo, 15 de janeiro de 2023
Pela "Serragem" de Padinha
domingo, 8 de janeiro de 2023
Pelos "Estirões" de Benedito de Lima
sábado, 7 de janeiro de 2023
Cálida Timidez de Flávia Valois
O Cupido que foi Flechado | por Eriedna da Hora
quarta-feira, 28 de dezembro de 2022
Menino Quindins, homem Alemberg | Livro "Poemas HQ"
Ha uma subjetividade na arte que nenhum ser humano foi capaz de descrever (aprisionar) até hoje. Algo que emana da alma de quem produz e deságua na alma de quem consome a tal arte. Um misto de "sei-la-o-que" com uma vontade de sorrir, chorar, sentir-se parte daquilo como se aquilo fosse nossa própria essência existencial naquele instante. Assim me senti ao apreciar O livro POEMAS HQ do escritor, artista plástico e pesquisador Alemberg Quindins de Nova Olinda, Ceará.



























