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terça-feira, 7 de março de 2023

Aos loucos de Pedras e Palavras | Atevaldo Rodrigues


O escritor chavalense Atevaldo Rodrigues prepara seu quarto livro de poesia que será lançado ainda este ano de 2023. Já demos uma lida, confira o que achamos:

Livro: Sobre Palavras e Pedras

Autor: Atevaldo Rodrigues

2023 (a ser lançado)

Aos loucos de Pedras e Palavras

Em seu quarto trabalho literário o escritor Atevaldo Rodrigues se consolida como um dos grandes poetas da nossa geração. Suas metáforas são comos pedradas nostálgicas que leva o leitor a refletir sobre coisas cotidianas percebidas e versadas pelo poeta com uma sutileza típica do autor.

"...Perder, eu fui aprendendo, com o tempo. / Lembro-me que quando perdi meu avô

/ Passei vários dias esperando que ele voltasse. / Que tudo era uma brincadeira..."

"Sobre Palavras e Pedras" é mais do que um livro simplesmente, é um instante, é um lugar, é o mundo metafórico e/ou metafísico de um poeta-menino que apesar de "ganhar" o mundo sempre volta à sua casa simples, à sua gente e a sua infância adormecida em sua memória. É como ser a palava que sangra da tinta ou o silêncio que adormece entrelinhas. Como diz o poeta: "...Da eterna sina de ser um só. / Quero ser palavra..."

Atevaldo Rodrigues traz em sua nova obra a sutileza e, ao mesmo tempo, a profundidade poética: "Quando eu morrer não deixarei pegadas fáceis, / Deixarei meus versos, apenas..."

O que é poeta? O que é poesia? Senão isto que nos provoca, assanha, acalma... Que emociona. Atevaldo é poeta como Manoel de Barros que canta as não-coisas, o vento, o pássaro e a saudade que mora na gente. "Sobre Palavras e Pedras" é um mundo para as crianças, os doidos ou estranhos que sofrem de poesia. "...Aos poetas, assim como aos loucos e às crianças, / É permitido ser qualquer coisa assim como árvore, pássaro ou pedra… / E não se exige atestado de insanidade. / Descobrir-me poeta foi a minha libertação."

Sugiro que leias Atevaldo Rodrigues, imediatamente.

Seus outros livros de poesia: Como se o céu fosse perto; Onde termina o Infinito; O mundo que carrego em mim.

Acompanhe o autor nas redes sociais: @atevaldorodriguesof


domingo, 15 de janeiro de 2023

Pela "Serragem" de Padinha



Livro: Serragem
Autor: Antônio de Pádua Marques Silva
Produção independente (Fabio Diagramação e Editora)
120 páginas
Ano: 2022

O escritor Parnaibano, Pádua Marques, tem um jeito peculiar de escrever, pois sua prosa é intensa e bastante descritiva. O trabalho de Antônio Pádua Marques ou "Padinha" para os íntimos) é uma prosa rica de modo que o leitor adentra o universo descrito pelo autor de uma forma singular.

Os personagens descrito por Padinha ganham vida de tal forma que se confunde com pessoas comuns da rotina interiorana de uma cidade pequena, por exemplo. Em Serragem, cidade fictício da obra, poderia ser uma cidade tão próxima quanto Parnaíba, poderia ser Luís Correia, poderia ser Chaval, etc. porque tem um pouco de nós em cada personagem, em cada cenário criado pelo autor. Esses personagens ganham vidas e passam a ser um companheiros do leitor durante a apreciação da obra.

Segundo o autor ele disse que "Quando escrevi este livro eu tinha certeza que estava realizando um sonho antigo, o de mostrar com palavras o movimento de uma cidade nordestina, com seus tipos comuns ou incomuns..."


Para o prefaciador, poeta Cavalho Filho "...Em Serragem existe uma grande preocupação com os personagens, o que se expressa nas descrições físicas, na exposição de seus hábitos, vícios e virtudes."

Nezinho Doido: quantos Nezinhos Doidos não existem em nosso meio. Zé do Periquito, personagem irreverente. Cabo Domingos do Apito, parece tão nosso... Carlota Miranda, Demóstenes Tavares, Zé do Avião, Sansão da Rua do Tapete, Manequim de Zulmira, Anacleto Mascarenhas, Betinho da Travessa, Ditinha Meneses, parece a gente: eu, você ou alguém  conhecido,  e é isso que autor tem de mais relevante:  construir seus personagens de modo que eles possam ser confundido com seus próprios leitores. Padinha é um mestre da prova.


SILVA, Marcello. 2023.





domingo, 8 de janeiro de 2023

Pelos "Estirões" de Benedito de Lima



Título: Estirões Retos e Gancheados
Autor: Benedito de Lima e Silva Filho
Sieart - Produção independente
247 páginas
Ano: 2022.

A a obra 'Estirões Reto e Gancheados" de Benedito de Lima e Silva Filho foi uma das melhores leitura que tive nos últimos meses, pois a obra apresenta uma riqueza descritiva impressionante. O autor nos blinda com uma prosa recheada de informações, ora pode ser fictícia, ora pode ser real. O que tem de realidade na obra ficcional do autor? É um trabalho que foge a qualquer nomenclatura, se é um texto autobiográfico se é um romance convencional... O autor também brinca com a temporalidade do texto, ora ele é criança, ora é adulto, noutra é adolescente e esse "brincar" na cronologia temporal dá uma particularidade ao texto do autor.

Para o prefaciador, o escritor e poeta Valdir Ferreira Lima, "...a narrativa começa em muitos lugares, sendo interrompida, para continuar lá na frente, como se fossem afluentes, circuitos gancheados se juntando ao Parnaíba, o rio memorável que dá nome a cidade onde mora o autor"

Benedito de Lima nos leva a revisitar uma Parnaíba antiga, um Bairro São José com suas vielas e barros, com sua gente e personagens reais vou não. Na orelha da obra O autor se definiu

"Sou da Vala sou da Quarenta
Sou do São José 
Sou da Santa casa que mija em mim
Sou do porto de todas as barcas 
De amores sem fim 
Sou dos Tucuns 
Do cabarés da Brasília
Com casa simples e porcas
De mulheres feias e tristes
Que viviam bêbadas...
(...)"

De fato um trabalho diferente porque mistura realidade e ficção, autobiografia e romance, causo, história.... Por vez ficamos a questionar Será que é o Bené (carinhosamente chamado pelos conhecidos) ou é um personagem. E agora quem está falando? O certo é que a gente acaba embarcando nessa aventura atemporal de ir e vir nesses Estirões Retos e gancheados de Bené. 

SILVA, Marcello. 2023.








sábado, 7 de janeiro de 2023

Cálida Timidez de Flávia Valois



Título: Cálida Timidez: quando uma pessoa introvertida grita no papel.
Autora: Flávia Valois
Editora: Arcadia
182 página
Ano: 2022

Esta obra é deliciosa de se degustar, uma prosa, às vezes tão poética e outra tão descritiva e humanamente voraz. São crônicas? são contos? são poemas? o que importa agora se o principal objetivo se atinge quando o leitor se sente parte do texto, se identificando nas linhas.

O livro se divide em três partes (1° - das impressões; 2° - das expressões; 3° - das (in)certezas ) e traz temáticas universais, no entanto, adaptada ao jeito peculiar de escrever da autora (parece que ela coloca o coração na caneta) que transborda em linhas e entrelinhas

Para prefaciadora Célia Santos "...um eu questionador tece obra. Um eu que reflete a respeito de tudo que o cerca". Já para Sara Lima, leitora Beta, "Cálida timidez tem tanto de Flávia e de poesia que como leitora me perco onde um começa e a outra termina"


Cecília, Aurora, Laura, Nina, Beatriz, Maia, etc. algumas personagens femininas ganham vozes e grita no papel, seria a própria autora? no texto "Feéricos perdidos do século XXI" a autora escreve "cada conto, crônica, poema e romance possui um sentido único. Mesmo misturados ao que somos, como personalidade, gostos e sonhos, as letras acabam adquirindo uma marca e identidade bem própria"

Como poeta fiquei extasiado (admirado) com o texto "feéricos e incompreendidos" pois se trata de um poema certeiro que penetra a alma da gente, além da poética há algo de filosófico no texto "em nós, estão os arames farpados do cotidiano / como desviar?"

Por fim, são textos que merecem inúmeras revisitações e em cada um delas se revela uma cálida timidez que grita no papel: lágrimas, sangue e esperança.

SILVA, Marcello. 2023

O Cupido que foi Flechado | por Eriedna da Hora



Título: O Cupido Que Foi Flechado
Autora: Eriedna da Hora
Produção independente (Plataforma UICLAP)
Livro de bolso (12x17 cm) e 30 páginas
Ano 2022.

Uma leitura rápida enquanto degustamos uma xícara de café e o aroma da tarde, apesar de curta é uma história interessante, pois nos provoca e nos leva a reflexão, tirando do lugar comum, da 'coisa certinha' afinal a temática amor sempre nos leva além.

Assim o enredo da história nos traz Gabriel, um cupido tradicional em seu dever convencional de unir casais, mas algo inusitado acontece (o título denuncia) quando ele conhece Isabela e, a partir disto, tudo sai do script do cupido.

Intriga, paixão, dilema, etc, essa breve história nos proporciona e no final a autora permite que o leitor construa seu próprio fim e isto eu gostei demais, já inventei uns dez.

SILVA, Marcello

quarta-feira, 28 de dezembro de 2022

Menino Quindins, homem Alemberg | Livro "Poemas HQ"


Ha uma subjetividade na arte que nenhum ser humano foi capaz de descrever (aprisionar) até hoje. Algo que emana da alma de quem produz e deságua na alma de quem consome a tal arte. Um misto de "sei-la-o-que" com uma vontade de sorrir, chorar, sentir-se parte daquilo como se aquilo fosse nossa própria essência existencial naquele instante. Assim me senti ao apreciar O livro POEMAS HQ do escritor, artista plástico e pesquisador Alemberg Quindins de Nova Olinda, Ceará.


A obra apresenta, através das palavras e imagens, as travessias da vida de Alemberg que, se intencional ou não, também nos leva a percorrer seus passos, seus caminhos e suas observações poéticas nesse trilhar. Suas lembranças são facas ágeis que brinca com a pele da poesia, sangrando a derme das metáforas. 

O MENINO QUE LIA O TEMPO

O menino que lia o tempo 
Não tinha tempo pra ler 
Corria os dedos sob a janela 
Todos os dias ao amanhecer 
E no espaço entre uma linha e outra 
Abria a porta para o tempo ter 
O menino que lia o tempo 
Só tinha o tempo todo pra ler 
E todo tempo que ele tinha 
O livro do tempo queria ver 
E o tempo levou o livro 
E o menino que o tempo queria ler.

                                             QUINDINS, Alemberg 

Há poesias nas palavras, há poesias nas imagens e há, principalmente, poesia no silêncio oculto entre as páginas, como se algo/alguém habitasse ali, de tocaia, uma subjetividade, uma saudade que transmigra para quem l(v)er a obra com o coração. "Quando chegar meus cabelos brancos lembrarei de ti / Olharei a minha imagem e é como se os meus olhos fossem os seus ..."

De quantos mundos vem o autor ou para onde vai seu voo rasante? Andarilhos por mil caminhos? De quantos pedaços é feito? "Eu vim de um mundão! / E de taquin in taquin / Remendando meus cadin / Costurando meus cadão..." 


O livro "Poemas HQ" tem o formato de bolso (10x15cm), capa dura e segundo Alemberg o "processo criativo foi construído de forma artesanalmente digital, a partir dos recursos disponíveis no celular, tais como a câmera, aplicativos de efeitos e anotações, em um processo de construção semelhante ao que eu fazia quando criança com os restos de papéis e toscos lápis de cores, para dar forma às coisas que nasciam em minha imaginação."

Para a produtora Neyci Sotero "o fio inicial da narrativa nasce dos relatos de sua mãe sobre sua infância no Cariri perpassando por sua adolescência como retirante entre o parque do Araguaia e a Amazônia legal seguindo pelos seus amores e desamores nas estradas do mundo até o seu retorno como árvore do lugar à Chapada do Araripe para ver frutificar o seu plantio"

Por fim, são inúmeras as observações e percepções que surgem depois de degustar esta obra. Em resumo, em me sentir próximo do autor como se sua trajetória e travessias se passasse ao meu lado enquanto escrevo um poema com um título talvez, "Alemberg O Grande"

O projeto "Poemas HQ" foi selecionado no XII Edital de Incentivo às Artes e tem o apoio cultural do Governo do Estado do Ceará por meio da Secretaria da Cultura do Estado do Ceará.



Quem é Alemberg Quindins

Pesquisador, músico, empreendedor social, escritor e artista plástico autodidata e criou em 1992, junto com sua companheira Rosiane Limaverde, a Fundação Casa Grande - Memorial do Homem Kariri na cidade de Nova Olinda, Ceará.

Recebeu comendas de Cavaleiro na Ordem do Mérito Cultural pelo Ministério da Cultura do Brasil (2004), Medalha do Mérito da Farroupilha pela Assembleia Legislativa do Estado do Rio Grande do Sul – (2007), Comenda João Luiz Ramalho de Oliveira pelo Sistema Fecomércio Ceará (2014), Medalha da Abolição pelo Governo do Estado do Ceará (2017), Título de Dr. Honoris Causa em Ciências Sociais pela Universidade Regional do Cariri – URCA (2018) e Título de Notório Saber em Cultura Popular pela Universidade Federal do Ceará (2019).

Como consultor da Unicef participou da criação dos programas de rádio de criança para criança junto às rádios nacionais de Angola e Moçambique.. Foi gerente de cultura do SESC Rio de Janeiro (2018) e atualmente é assessor de relações institucionais do SESC Ceará.

Foi professor do Curso de Pós-graduação em Gestão Cultural Contemporânea do Itaú Cultural e Instituto Singularidades (2017 – 2019) e é professor do Curso de Pós-graduação Latu Sensu em Arqueologia Social Inclusiva pela Universidade Regional do Cariri - URCA e Investigador do Centro de Estudos em Arqueologia, Artes e Ciências do Patrimônio – CEAACP da Universidade de Coimbra – Portugal.

terça-feira, 29 de novembro de 2022

Em seu novo livro Marcello Silva poetiza sua gente e seus sertões


O escritor Marcello Silva lançará seu terceiro livro solo: 'Na Garganta Um Sertão Enjaulado', obra premiada (3° lugar poesia) pela Biblioteca Pública do Paraná em 2021.

'Na Garganta Um Sertão Enjaulado' é um livro-memória dos que já partiram e dos que ainda virão, vagantes e andantes por estes sertões: homens, mulheres, crianças, fantasmas, lobisomens, etc. O autor buscou em suas memórias afetivas lembranças de vivências e estórias ouvidas pelos anciãos da comunidade e transformou a trajetória de sua gente e de sua terra em poesia. Ler esta obra é como ouvir o som do vento noturno mexendo com as palhas da Carnaúba enquanto a caipora passa assoviando para o Rio Ubatuba.

Para o prefaciador, poeta Diego Mendes Sousa, "Marcello Silva opera com a intertextualidade, com ideias de Graciliano Ramos e de Euclides da Cunha (baleia graciliana tão comum por aqui ou todo sertanejo é antes de tudo sertanejo) e com máximas populares, como esse sertão já foi mar. Arrojado e sucedido, ele funda a sua cidade, o seu lugar perdido na voragem do Brasil"

O obra é uma produção independente e tem o projeto gráfico, ilustrações e capa assinados pelo escritor Adriano Lobão Aragão.

'Na Garganta Um Sertão Enjaulado' será lançado agora em dezembro tanto em Chaval/CE quanto em Parnaíba/PI com data e local a definir.

Site Chavalzada
www.chavalzada.com 

quarta-feira, 27 de abril de 2022

Lançado "1º Prêmio Candango de Literatura" em Brasília


O Prêmio Candango de Literatura foi criado para enaltecer as manifestações literárias em todos os países lusófonos e difundir a riqueza e diversidade da língua portuguesa. A premiação foi instituída pela Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (SECEC) do Distrito Federal, tendo como responsável-gestor o Instituto Cultural Casa de Autores, que atua promovendo a criação literária em seus mais diversos gêneros.

A figura do Candango, escolhida como símbolo desta iniciativa, nasce a partir da confluência de culturas que se encontraram em Brasília para a construção da nova Capital. A união destas vivências cunhou essa identidade, que historicamente traça laços com outros povos de língua portuguesa como: Portugal, Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde, Moçambique, Timor Leste, São Tomé e Príncipe, Guiné Equatorial.

Por meio do Prêmio Candango de Literatura, busca-se reforçar o intercâmbio entre escritores, leitores, livreiros e editores, consolidando e expandindo o mercado do livro em português.

REGULAMENTO

O 1º Prêmio Candango de Literatura destina-se à premiação de 6 (seis) obras literárias (livros), escritas em língua portuguesa, editadas e comercializadas em qualquer dos Países da Comunidade Lusófona no ano de 2021, nas seguintes categorias:


Melhor Romance;
Melhor Livro de Poesia;
Melhor Livro de Contos;
Melhor Livro de Autor Residente no Distrito Federal;
Melhor Capa;
Melhor Projeto Gráfico;
Além disso, serão premiados dois projetos que visem incentivar a leitura:
Melhor Iniciativa de Incentivo à Leitura (Geral);
Melhor Iniciativa de Incentivo à Leitura (PcD/Pessoa com Deficiência).

Os vencedores das categorias de Melhor Romance, Livro de Poesia, Livro de Contos e Autor Residente no DF receberão o equivalente a R$ 30.000,00 (trinta mil reais) cada. Para as categorias Melhor Capa e Projeto Gráfico o valor será de R$ 12.000,00 (doze mil reais), e de R$ 15.000,00 (quinze mil reais) para as categorias Melhor Iniciativa de Incentivo à Leitura Geral e PCD.

As inscrições são gratuitas e deverão ser realizadas do dia 27 de abril ao dia 26 de maio de 2022.

Leia o edital completo para saber de todas as condições.



sábado, 19 de fevereiro de 2022

Semana de 22 | O romper de uma aurora.

 


A semana de Arte Moderna, ocorrida entre os dias 13 e 18 de fevereiro de 1922 em São Paulo, foi um grito artístico que até hoje, cem anos depois, ainda o ouvimos. Que rompeu com a “estética artística” da burguesia europeia e deu liberdade às mais variadas manifestações de arte.

O que seria de nós, hoje, sem esse rompimento de outrora? Subserviente ainda ao crivo europeu de fazer, ver e sentir a arte? Mas o que é arte? O que é literatura? O que é poesia? Mato a paulada (metaforicamente) aquele/ela que tenta definir e, secamente, limitar em palavra ou gesto essa coisa que vai além. Parafraseando Mario Quintana, que a arte/poesia não se entregue a quem a definir.

O romper da aurora tupiniquim que é um clarão que liberta, mas também incomoda a elite, o tradicional, o conservador preso a idade média das ideias.

Salve Anita Malfatti, Mário de Andrade, Oswald de Andrade, Di Cavalcanti, Menotti Del Picchia, Victor Brecheret, Heitor Villa-Lobos, dentre outro e tantos pela proposta transformadora da visão artística brasileira a partir de uma estética mais voltada aos aspectos nacionais, evocando assim, o entusiasmo a brasilidade na arte e substituindo o academicismo pela livre expressão modernista.

Salve, nova aurora. Liberdade é o nosso nome, ontem, hoje e além!

 

SILVA, Marcello.

www.marcellossilva.com.br



domingo, 31 de outubro de 2021

Lançamento do livro "Piauí em Letras IV" no Delta Park Hotel, em Parnaíba/PI


Aconteceu na noite desta sexta-feira (29/10/2021) no Delta Park Hotel, em Parnaíba/PI, o lançamento do livro "Piauí em Letras IV". Essa coletânea é a consolidação de um projeto executado por um comitê gestor composto pelos escritores Antônio José Sales, João Passos e José Paraguassú.

Piaui em Letras é uma coletânea de textos de escritores de várias regiões do Estado do Piauí que já está em sua quarta edição. O evento de lançamento ocorrido nesta última sexta, promoveu uma confraternização entre os escritores e amantes da arte literária estreitando laços de amizade em torno da literatura.

Participam da Coletânea vinte e oito escritores(as): Aila Brito, Aldenir Ribeiro, Ana Paula de Oliveira, Antônio de Albuquerque, Antônio José Sales, Antônio Silva Gusmão, Augusto Barbosa Coura Neto, Cícero Rodrigues dos Santos, Claucio Ciarlini, Dina Paraguassú, Euzeni Dantas, Eva Graça, F Gerson Menezes, Glauce Barros, Inácio Marinheiro, José Paraguassu, João Passos, José Osório Filho, Lena Lustosa, Lucélia Maia, Lúcia Ana de Melo e Silva, Marcello Silva, Maria Christina de Moraes S. Oliveira, Maria Dilma Ponte de Brito, Milton Borges, Raimunda Celestina M Silva, Roberto Carvalho e Solange Veras Roque.
Claucio Ciarlini e Marcello Silva

Também estiveram presentes representantes de Academias e agremiações literárias da região, como o Presidente da Academia Parnaibana de Letras, o escritor José Luiz de Carvalho; Reginaldo Nascimento Júnior, presidente do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de Parnaíba; Arlindo Leão, Superintendente de Cultura de Parnaíba; Paulo Couto, Presidente do Clube dos Poetas Mortais,  dentre outros(as). 

O evento foi conduzido pelo cerimonialista e repórter Evaldo Neres e para engrandecer a  noite, música ao vivo com o cantor Joaquim Neto, além de um excelente buffet servido às margens do Rio Igaraçu

O "Piauí em Letras IV" é uma obra bastante diversificada, pois representa as múltiplas facetas da cultura literária piauiense, seu lançamento foi um feito memorável no litoral piauiense. Para adquirir a obra, entre em contato com os autores.
















Fonte: Chavalzada.
Fotos: Grupo Piauí em Letras.

sábado, 27 de fevereiro de 2021

Marcello Silva é premiado em São Paulo.


O escritor chavalense Marcello Silva, autor dos livros
Homo Cactus e O Pescador, foi premiado no Estado de São Paulo com seu poema inédito "Andarilhos". Na cidade de Pindamonhangaba foi selecionado para XIV Festipoema 2020. Na cidade de Presidente Prudente foi selecionado no XIII CLIPP- Concurso Literário Ruth Campos. E por fim, foi o 2º colocado no IV edição do Concurso Literário Abrace um Autor do Instituto Federal de São Paulo, campus São Paulo.

No Festival de Pindamonhangaba o poema foi interpretado por Lana Santos (veja vídeo abaixo) em evento virtual, por causa da pandemia. Em Presidente Prudente será publicado uma antologia com os poemas selecionado. No Instituto Federal de São Paulo, os textos vencedores serão publicados na revista eletrônica Odisseia Literária. O escritor receberá certificados, troféu e uma quota de livros da coletânea com os autores vencedores.




O poema "Andarilhos"

Segundo o autor, o poema Andarilhos foi escrito para homenagear dois amigos "depois de uma vivência numa expedição na Pedra da Baliza, zona rural chavalense, veio a ideia de escrever esse poema ao Ricardo Fontenele e a Neyci Sotero, parceiros de expedição". Segundo o autor a intenção inicial era de publicar poema Andarilhos na Coletânea "Poemas entre Gerações", um trabalho que reuni 60 escritores e é organizado pelo Jornal O Piagui e a Academia Parnaibana de Letras. Essa coletânea será lançada em Dezembro.

"Depois dessa boa repercussão do poema, penso seriamente, em escrever mais algumas estrofes e transformá-lo em livro" conta o autor.



Fonte: Chavalzada



segunda-feira, 25 de janeiro de 2021

Atevaldo Rodrigues | O homem que fotografa infinitos


Saudade e nostalgia de um tempo pretérito tatuado nas lembranças do poeta Atevaldo Rodrigues e ao mesmo tempo, visões futurísticas mapeadas com o sabor e o cheiro que só a poesia é capaz de ofertar a um homem. O Eu lírico de “Onde Termina o Infinito” é um menino sem camisa, calça surrada, de estilingue na mão, sentado em uma pedra à beira de um açude, observando o passar da vida interiorana, simultaneamente, é um homem de face fria chorando metáforas à noite sem estrelas. “A dor que nasce é tão funda / A alma quase se esvai” diz ele.

Os poemas são em versos livres e ritmos poéticos variados. Ora são curtos como coices e outras vezes, são ritmados com um solo de saxofone. As metáforas são ricas e apaziguadoras à alma-leitora que sonha e vibra a cada verso.

A simplicidade das metáforas e intimidade do poeta com as coisas simples da vida, o amor a família e amigos... são, sem dúvidas, a maior riqueza desta obra que provoca o leitor a reflexão sobre a essência da vida, o quão mágico e divino é o instante: saudade para quem viveu e curiosidade para aquele que ainda pode viver cada pedaço de vida imortalizado na poética do autor. Através destas metáforas, percebemos a dimensão de cada fração de segundo ao lado dos pais, irmãos, amores, casa, chão, cheiro de vó... Café.

Atevaldo fotografa infinito toda vez que escreve. Este lugar metalinguístico é onde reside todas as versões do poeta, do menino e homem. Lá na morada do fim, o poeta tem carta branca e um banco de madeira tal qual no café do Cazuza em Chaval, e ele é rei de suas metáforas, lembranças, saudades e com elas, o poeta brinca de criador de mundos paralelos.

“Onde Termina o Infinito” mora toda alma do poeta Atevaldo. Os poemas são convites a viajar a multidimensões oníricas, mas reais e talvez até cruas. Algumas metáforas são lâminas afiadas e quando menos esperamos, estamos sangrando como o poeta ao escrevê-las. Os poemas desta obra descrevem a cidade natal com suas pessoas, cheiros, gostos e trejeitos bucólicos típicos; fala das coisas desimportantes a olho nu e de valor imensurável; descreve o abstrato existencial que atormenta todo ser pensante neste plano: o que é o amor? Existe a morte? E Deus?.

Caro leitor, se tu leres esta obra e não chorar em alguma parte dela, desconfiarei da tua humanidade. “Onde termina o infinito” é uma dose poética necessária para nos manter vivo e compreender a importância dos sonhos, das utopias e das saudades.

Marcello Silva – Escritor

quinta-feira, 26 de novembro de 2020

Veja a lista dos vencedores do Prêmio Jabuti 2020 | 'Solo para Vialejo' é eleito livro do ano

Foto: Divulgação/ Prêmio Jabuti

O Prêmio Jabuti anunciou, nesta quinta-feira (26), os vencedores de sua 62ª edição. O livro de poesia "Solo para vialejo", da autora Cida Pedrosa, foi eleito livro do ano na premiação.

Lançada em outubro de 2019, a obra da pernambucana é um poema épico-lírico que acompanha uma viagem do litoral ao sertão, repleto de referências musicais. Além do troféu, Pedrosa vai receber o prêmio de R$ 100 mil.

O vencedor da categoria romance literário foi "Torto Arado", do autor baiano Itamar Vieira Junior. O escritor desbancou "Essa gente", de Chico Buarque. O romance acompanha as irmãs Bibiana e Belonísia, que encontram uma misteriosa faca na mala guardada sob a cama da avó.

Por causa da pandemia de coronavírus, a cerimônia foi realizada de modo virtual. A escritora brasileira Adélia Prado foi homenageada como Personalidade Literária da edição.

No total, são 20 categorias, divididas entre quatro eixos: Literatura, Ensaios, Livro e Inovação. Segundo a organização, este ano, o prêmio teve um aumento de 20% no número de inscritos (2.599 no total). Os primeiros colocados de cada categoria receberão o troféu Jabuti e R$ 5 mil.

Confira a lista de vencedores:

Livro do ano

"Solo para vialejo" | Autor(a): Cida Pedrosa | Editora(s): Cepe Editora

Literatura

Romance Literário

"Torto arado" | Autor(a): Itamar Vieira Junior | Editora(s): Todavia

Conto

"Urubus" | Autor(a): Carla Bessa | Editora(s): Confraria do Vento

Crônica

"Uma furtiva lágrima" | Autor(a): Nélida Piñon | Editora(s): Record

Histórias em Quadrinhos

"Silvestre" | Autor(a): Wagner Willian | Editora(s): Darkside Books

Infantil

"Da minha janela" | Autor(a): Otávio Júnior | Editora(s): Companhia das Letrinhas

Juvenil

"Palmares de Zumbi" | Autor(a): Leonardo Chalub | Editora(s): Nemo

Poesia

"Solo para vialejo" | Autor(a): Cida Pedrosa | Editora(s): Cepe Editora

Romance de Entretenimento

"Uma mulher no escuro" | Autor(a): Raphael Montes | Editora(s): Companhia das Letras

Ensaios

Artes

"AI-5 50 ANOS - Ainda não terminou de acabar" | Autor(a): Gabriel Zacarias, Galciani Neves, Izabela Pucu, Alexandre Pedro de Medeiros, Caroline Schroeder, Carolina de Angelis, Luise Malmaceda, Theo Monteiro, Pedro Borges, Paulo Cesar Gomes, Paulo Miyada e Priscyla Gomes | Editora(s): Instituto Tomie Ohtake

Biografia, Documentário e Reportagem

"Escravidão: do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares: Volume 1" | Autor(a): Laurentino Gomes | Editora(s): Globo Livros

Ciências

"Futuro presente: o mundo movido à tecnologia" | Autor(a): Guy Perelmuter | Editora(s): Companhia Editora Nacional

Ciências Humanas

"Pequeno manual antirracista" | Autor(a): Djamila Ribeiro | Editora(s): Companhia das Letras

Ciências Sociais

"130 anos: Em busca da República" | Autor(a): Edmar Bacha, José Murilo de Carvalho, Joaquim Falcão, Marcelo Trindade, Simon Schwartzman e Pedro Malan | Editora(s): Intrínseca

Economia Criativa

"Ecochefs: parceiros do agricultor" | Autor(a): Instituto Maniva | Editora(s): Senac Rio

Livro

Capa

"Penitentes - Dos ritos de sangue à fascinação do fim do mundo" | Capista: Luisa Malzoni, Isabel Santana Terron e Beatriz Matuck | Editora(s): Tempo d'Imagem

Ilustração

"Cadê o livro que estava aqui?" | Ilustrador(a): Jana Glatt Rozenbaum | Editora(s): FTD Educação

Projeto Gráfico

"Arquiteturas contemporâneas no Paraguai" | Responsável: Maria Cau Levy, Christian Salmeron, Ana David e André Stefanini | Editora(s): Escola da Cidade e Romano Guerra Editora

Tradução

"Bertolt Brecht: Poesia" | Tradutor(a): André Vallias | Editora(s): Perspectiva

Inovação

Fomento à Leitura

FLUP - Festa Literária das Periferias | Responsável: Julio Ludemir

Livro Brasileiro Publicado no Exterior

"Lorde" | Editora(s): Grupo Editorial Record, Two Lines Press


terça-feira, 3 de novembro de 2020

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terça-feira, 20 de outubro de 2020

“Vinte Contos para Simplício Dias” o novo livro de Pádua Marques.

 


Escrever é experimentar a sensação do criador no sétimo dia, ao observar suas criaturas forjadas na argila e metáforas. E é nesta construção metafórica que o escritor Antônio de Pádua Marques Silva nos brinda com mais um trabalho louvável: “Vinte Contos para Simplício Dias”.

Pádua Marques é um prosador do cotidiano. Como diria o escritor Vinícius de Moraes[1] “Senta-se diante de sua máquina, acende um cigarro, olha através da janela e busca fundo em sua imaginação um fato qualquer, de preferência colhido no noticiário matutino, ou da véspera, em que, com as suas artimanhas peculiares, possa injetar um sangue novo.” 

“Vinte Contos para Simplício Dias” reúne a coleção de 23 contos, nos quais o autor ousou utilizar a História e fatos verossímeis como planos de fundo para enriquecer sua prosa. Os contos em questão é uma mistura do real e do imaginário fértil do autor. Até que ponto é ficção ou verdade? Com esta indagação, o escritor nos fisga e nos prende na leitura da obra. Em cada linha é perceptível a escrita peculiar de Pádua Marques que não abre mão de palavras e variações linguísticas da sua região. 

Na obra em questão, Pádua Marques utiliza alguns nomes reais da família “Dias da Silva, personagens históricos e importantes no desenvolvimento social de Parnaíba e região nos séculos XVIII e XIX. A citar, o nome que dá título à obra: Simplício Dias da Silva, um dos mais importantes vultos da história do município, bem como, e sua esposa Isabel Tomásia. Por outra, o autor constrói personagens fictícios como o escravo Elias, servo ‘fiel’ a família Dias da Silva. Nesse contexto se desenvolve o enredo dos contos, descrevendo a vida cotidiana de Parnaíba no século XIX com sua Rua Grande, Praça da Graça, Porto das Barcas, Porto Salgado e, principalmente, descreve sua gente e seus instantes corriqueiros. 

Em “Vinte Contos para Simplício Dias” acontece de tudo um pouco, desde confusões provocadas pela invasão indígena à vila no conto “O bacamarte e a lança” passando pela espera da visita de imperador francês em “Simplício Dias à espera de Napoleão Bonaparte na praia da Pedra do Sal” e assim descreve o autor no conto: “Foi emocionante e ao mesmo tempo triste a expedição dos voluntários da Parnaíba que iriam enfrentar Napoleão Bonaparte e os seus soldados naquela que se chamaria a Batalha da Pedra do Sal”. Isto sem mencionar, o aparecimento de uma múmia egípcia, no conto “A múmia que dormiu na casa de Simplício Dias na Parnaíba”. 

Índios, escravos, cientistas, revoltosos, coronéis, comerciantes estrangeiros, dentre outros, resolvem aparecer pelo Cais do Porto, Praça das Graças ou Casa Grande e todos festejam a História, a Parnaíba e a memória dos tempos pretéritos, sob o comando da batuta do maestro da prosa, escritor Antônio de Pádua Marques Silva, “O Padinha”. 

Assim, caro leitor, não te conto mais! Convido-te a adentrar o “universo simpliciano” e se deleitar nas aventuras e imaginação de “Vinte Contos para Simplício Dias”

Marcello Silva - Escritor

www.marcellossilva.com.br



[1] MORAES, V. Para viver um grande amor: crônicas e poemas. São Paulo: Cia. das Letras, 1991